Perícia de Paulo Cesar Morato é motivo de polêmica

Sinpol entrou com denúncia no MPPE e SDS convocou coletiva para falar em "erro de comunicação"

Espetáculo "Segunda Pele"Espetáculo "Segunda Pele" - Foto: Ju Brainer/Divulgação

Quase uma semana depois do empresário e alvo da Polícia Federal, Paulo César de Barros Morato, ter sido encontrado morto num motel em Olinda, a novela envolvendo a misteriosa morte de um dos “testas de ferro” do esquema investigado pela Operação Turbulência ganhou mais um capítulo.

Nesta segunda-feira (28), o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) e a Associação dos Peritos Papiloscopistas de Pernambuco (ASPPAPE) ingressaram com uma denúncia junto ao Ministério Público de Pernambuco pedindo apuração nos procedimentos da perícia papiloscópica realizada no dia do crime.

No documento, os órgãos alegam que a perícia foi comprometida, uma vez que peritos da área foram no local e solicitaram continuidade no dia seguinte das investigações, o que foi negado pela gestora da polícia científica, Sandra Santos. “Não estou entendendo porque não foi feita a perícia. Teve a ordem da Sandra para não fazer. Não estamos entendendo porque fugir da norma padrão. Estranhamos, porque é fundamental a perícia. A quem interessa a perícia não ter sido feita?”, questionou Áureo Cisneiros, presidente do Sinpol.

Presidente do ASPPAPE, Carlos Eduardo Maia apresentou um documento do perito papiloscopista, no dia do crime, Lauro Macena, que relatava a necessidade de novas perícias, dada a complexidade do trabalho.

Ofício da delegada de plantão da Força Tarefa, Gleide Ângelo, na noite da descoberta do corpo, último dia 22, também foi apresentado pelos sindicalistas. No documento, Gleide reforçava a necessidade da continuidade da coleta de digitais. 

SDS
No entanto, horas depois da movimentação, o secretário-executivo da Secretaria de Defesa Social (SDS), Alexandre Lucena, reagiu. Convocou uma coletiva para dirimir as polêmicas levantadas pelo Sinpol e ASPPAPE.

Na sede da secretaria, estavam os principais atores do dia do crime, como a perita criminal, Vanja Coelho; a delegada Gleide Ângelo; o perito Lauro Macena; além do delegado da PF, Marcelo Diniz Cordeiro; a gestora da polícia científica, Sandra Santos; e o chefe da Polícia Civil, Antônio Barros.

Mas o que era para explicar terminou por alimentar mais dúvidas. Fazendo mea-culpa, o secretário reconheceu um “erro de comunicação” da equipe policial e voltou a defender que todas as perícias in loco foram feitas e, inclusive, o local - o quarto do motel Tititi - foi imediatamente liberado.

Lucena explicou que o perito Lauro se equivocou “sem má fé” ao não comunicar às autoridades a necessidade de novas perícias - na noite da última quarta (22) - e que, no dia seguinte, novos peritos foram sem necessidade ao local.

“O que houve foi uma cena do fato tumultuada em que o papiloscopista entendeu por si só que poderiam ser feitas mais perícias e ele, sem comunicar à doutora Gleide e à doutora Vanja, deixou o documento para os peritos do plantão. Em razão disso, os peritos pegaram o documento e entenderam que deveriam ir até o local para fazer as perícias complementares. É ela (a delegada) que determina o que é necessário ou não”, disse Lucena que tentou, diversas vezes, conduzir às falas dos envolvidos no cenário do crime. 

“Mea-culpa”
Muito abalado e desconfortável em responder às perguntas dos jornalistas, Lauro também fez uma mea-culpa afirmando que tinha feito a solicitação para continuar a perícia de forma verbal para a delegada Gleide, o que não bate com documentos apresentados pela ASPPAPE, que reforçam a necessidade pela continuidade revelada pelo perito.

Gleide Ângelo, por sua vez, admitiu que o pedido de continuidade da perícia num ofício tinha sido feito já no final do plantão, no dia 23, e quando a perícia já tinha concluído os trabalhos.

Ela também reforçou que, quando os policiais chegaram ao local, o corpo de Morato já estava embalado pelo IML. “Muita gente passou lá, houve violação do local. Não por má vontade, mas porque acharam que era uma morte natural”, afirmou. Na coletiva, Vanja reforçou que fez todos os exames e liberou o corpo.

O delegado da PF, Marcelo Diniz, disse que as investigações vêm sendo compartilhadas e comunicou que não entrou nas perícias por depender de ordem judicial. Porém, reforçou que continuará acompanhando o desdobramento das investigações.

O caso continuará com a delegada Gleide Ângelo, que aguarda o resultado de exames papiloscópico, tanatoscópico, toxicológico e histopatológico. Copos e garrafas encontrados na cena do crime ainda serão analisados. O corpo de Morato só deverá ser liberado na quarta (29) ou quinta (30). 

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