Pernambuco busca contratualização de leitos privados para Covid-19

Elevada demanda por internação em leitos de UTI está saturando a capacidade nas unidades públicas

Leitos na Maternidade Brites de AlbuquerqueLeitos na Maternidade Brites de Albuquerque - Foto: Divulgação

Enquanto o mundo busca soluções em laboratórios para superar a crise provada pela pandemia da Covid-19, apenas duas afirmações até o momento ecoam em tom unânime: as necessidades de isolamento social e de leitos hospitalares, sobretudo os de terapia intensiva, para tentar controlar um aumento desenfreado de casos e evitar um número mais elevado de mortes.

A pressão imposta pelo novo coronavírus nos sistemas de saúde de todos os continentes é sentida também em Pernambuco, que vê sua capacidade de leitos públicos em vias de esgotamento enquanto segue clamando à população que fique em casa para evitar uma maior aceleração do contágio. Afinal, se todos adoecerem no mesmo período, a conta de leitos existentes para a quantidade de pacientes que os necessitará não vai fechar.

O Painel de Regulamentação de Leitos do Estado aponta um total de 571 leitos abertos exclusivamente para o tratamento de pacientes com a Covid-19 na rede pública no último mês, sendo 269 deles de terapia intensiva e os demais de enfermaria. Até o final da tarde desta sexta-feira (17), a ocupação média dessa capacidade era de 86%, com 77% de ocupação das enfermarias e 95% nos leitos de UTI.

Diante do cenário, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, disse que já estuda a contratualização de leitos em unidades privadas de saúde para aumentar a capacidade de atendimento.

"Nas legislações estadual e federal, é possível fazer a requisição não só de leitos, mas de profissionais, de equipamentos e insumos necessários à prestação dos serviços de saúde. Temos discutido a melhor forma de captar as informações dessas unidades privadas de maneira célere para fazer uma interface entre as ociosidades do privado para que, por ventura, na necessidade, o sistema público possa fazer (uso). Claro, fazendo o pagamento adequado por cada leito utilizado, com todas as garantias. Mas é fato que em um determinado momento a gente poderá ter que utilizar da capacidade ociosa (da rede privada). Mas sempre será feito dentro de um padrão respeitoso de relacionamento que deve existir entre o setor público e o privado, que tem sido parceiro desde o início”, explicou.

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De acordo com Longo, já foram contratualizados 10 leitos no Real Hospital Português, no São Marcos e no Albert Sabin, todos na região central do Recife. Há encaminhamento ainda junto ao Hospital Santa Joana e às unidades do Cesac (Hospital Nossa Senhora do Ó) no Recife e em Paulista.

Em paralelo, é feito um trabalho de montagem de estruturas anexas a unidades de saúde em Caruaru, Serra Talhada e Petrolina, além da Maternidade Brites de Albuquerque, em Olinda, que foi requerida pelo Governo do Estado através de contrato com a Prefeitura de Olinda para atuar exclusivamente no enfrentamento à Covid-19. O local está sob a operação do Hospital Tricentenário e já tem leitos ocupados.

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