Pernambuco estima viver o ápice da Covid-19 em maio

Velocidade de aceleração de novos casos e óbitos indicam que curva epidêmica deve acontecer no próximo mês

Secretário de Saúde de Pernambuco, André LongoSecretário de Saúde de Pernambuco, André Longo - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

A dois dias para o final de abril, Pernambuco atravessa a fase de aceleração descontrolada dos casos de infecção pelo novo coronavírus e vê, com temeridade, as perspectivas para o mês que se aproxima. Maio, segundo estudiosos e gestores, reserva dias difíceis para a população do Estado, que já enfrenta uma pressão em seu sistema de saúde.

"Nossa expectativa é de dias muito duros em maio. Indicativos de que poderá ser o ápice (de casos), visto que a curva tem se mantido mais acelerada do que gostaríamos, tanto em casos quanto em óbitos. O que vivemos hoje é o reflexo de 10, 15 dias atrás, de um relaxamento (no isolamento social). Muito disso é fruto de uma voz dissonante que acaba por gerar falsas expectativas e polêmicas”, avaliou o secretario de Saúde de Pernambuco, André Longo, fazendo alusão ao comportamento de representantes do governo federal no trato da Covid-19.

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Hoje, o sistema de saúde de Pernambuco ainda não entrou em colapso. Ainda assim, já há dificuldade de acesso a leitos de terapia intensiva (UTI). “Todos os dias fazemos um apelo (pelo isolamento social) para evitar a sobrecarga. Já temos fila. Não temos desistência ainda, mas, muitas vezes as pessoas recebem cuidados em salas de estabilização enquanto aguardam leito de terapia intensiva”, disse Longo.

A rede estadual tem 750 leitos destinados exclusivamente a pacientes com Srag, sendo 364 de terapia intensiva e 386 enfermarias. Nesta terça, a ocupação média é 91%, sendo 97% nas UTIs e 86% nas enfermarias. 

"A única forma de diminuir a concentração de casos é com as medidas de isolamento e distanciamento. Quem hoje sai desnecessariamente, sem proteção, se contamina e contamina pessoas. Pessoas que em cinco, dez dias, vão começar a manifestar sintomas. Algumas de forma grave, que precisarão de leitos de UTI e não vão ter", frisou Longo.


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