Pernambuco “fazendo escola”

Experiências exitosas da rede estadual pública têm servido de exemplo para outros estados e municípios

Banda MazuliBanda Mazuli - Foto: Reprodução/Luma Torres

A posição de primeiro lugar no Ideb, o Índice de Educação Básica, que coloca o Estado como a melhor educação pública do País saiu somente no mês passado. Mas, já há alguns anos, as experiências desenvolvidas pela rede estadual de educação pública são referência de políticas exitosas para os demais estados e municípios do País.


Não é pouco comum que executivos de outros lugares do Brasil procurem os executivos da Secretaria de Educação do Estado para conhecer algumas dessas ações. Assim como os técnicos da SEE, que participam de eventos e reuniões pedagógicas Brasil afora, são frequentemente requisitados para falar sobre as experiências que têm transformado o ensino público em Pernambuco.

“Eles vêm muito pra cá, pra ver a experiência de Pernambuco. O último que recebi foi um executivo do Mato Grosso do Sul, que veio conhecer algumas escolas e o projeto do Mind Labs, que trabalha o raciocínio lógico com Matemática. Ele veio para ver a experiência funcionando e ficou maravilhado”, garante a gerente de Políticas Educacionais do Ensino Médio, Raquel Queiroz.

E olha que o Mind Labs não está entre as mais procuradas pelos executivos dos outros estados e municípios. De acordo com o secretário executivo de Planejamento e Coordenação, Severino Andrade, as quatro ações que despertam maior interesse são a educação integral, o programa Ganhe o Mundo, o modelo de Gestão por Resultados e o programa de formação de gestores escolares. “Temos um histórico de ter recebido outros estados e também dialogar com municípios que nos procuram para entender um pouco mais como funcionam essas iniciativas. E tentar implantar algo semelhante, naturalmente dentro da realidade que cada um possui”, conta Andrade.

A educação integral é uma política em que Pernambuco não apenas é pioneiro, como possui a maior rede do País no Ensino Médio, com um número de escolas maior que todos os estados do Sudeste. “Os resultados vieram corroborar com o impacto que ela trouxe no desempenho das escolas e dos estudantes. É uma ação que desperta um grande interesse. Inclusive no programa Educação Integrada, que estamos fazendo em parceria com alguns municípios, existe a meta de ajudar as redes municipais para que elas possam ir desenvolvendo seus programas de educação integral também no ensino fundamental”, explica o secretário executivo. “A maioria vem para conhecer o modelo de escola em tempo integral e saem encantados. Eles vêm e comprovam que é uma realidade, que é algo que está funcionando. E que não é apenas algo que envolve duas ou três escolas, mas que funciona em todo o Estado, uma política de rede”, corrobora Raquel Queiroz.

Recife é exemplo de parceria que dá certo

Se há alguma administração pública no País que atue em sintonia com as políticas desenvolvidas pelo Governo de Pernambuco, na área educacional, certamente é a da Secretaria de Educação do Recife. Com técnicos que já passaram pela estrutura do próprio Estado, a Capital tem adotado algumas das principais ações que levaram Pernambuco a alcançar o melhor desempenho nas avaliações do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

Nos resultados divulgados no mês passado, o Recife comemorou a melhora nas notas do Ensino Fundamental, tanto nos Anos Iniciais, quanto nos Anos Finais. Na avaliação do ciclo que engloba os alunos do 1º ao 5º anos, as escolas da Capital passaram de 4,2 para 4,6, a maior evolução nos últimos oito anos. Entre os alunos do 6º ao 9º anos, a nota passou de 3,2 para 3,5, mantendo a tendência de crescimento registrada no Ideb 2013, quando o Recife também havia melhorado em 0,3 ponto. “Nos anos iniciais, nos quatro anos anteriores estávamos estacionados. Retomamos a tendência de crescimento e atingimos a meta estabelecida pelo Ministério da Educação. Nos Anos Finais, enquanto de 2005 para 2011 estávamos estagnados, agora também recuperamos a perspectiva de crescimento”, comenta o secretário de Educação do Recife, Jorge Vieira.

O bom rendimento no Ideb não é simplesmente uma semelhança. É, na verdade, o resultado do modelo de gestão e das políticas educacionais do Estado e da capital. Seja na formação continuada dos professores, no modelo de monitoramento dos resultados obtidos pelas escolas, no regime de educação em tempo integral (o Recife ainda engatinha, mas já possui seis escolas com aulas em dois turnos) e na utilização da tecnologia, como as aulas de Robótica e o uso dos tablets, tanto como recurso pedagógico, como forma de transformar a escola em algo mais atrativo para os estudantes.

“Nós não temos como separar muito o modo de funcionamento da Secretaria de Educação do Estado do funcionamento da Secretaria de Educação do Recife. São duas equipes que têm concepções muito próximas, muito parecidas. O Recife tem, hoje, uma capacidade técnica bastante elevada. Não tem sido necessário que o Estado preste nenhum tipo de socorro ao município”, avalia Severino Andrade.

Ginásio Carioca se inspira nas EREM

Entre as iniciativas de política educacional realizadas em outros estados que tiveram alguma inspiração nas experiências executadas em Pernambuco, destaca-se o programa de educação integral da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Neste caso, a referência é explícita: o nome do programa, Ginásio Experimental Carioca (GEC) é uma homenagem ao Ginásio Pernambucano, primeira escola do Estado a adotar o modelo das unidades que são conhecidas como Escolas de Referência no Ensino Médio (EREM).
“Tivemos contato com a experiência de Pernambuco em 2011. Os resultados já eram excelentes e a gente achou esse modelo, que tinha dado certo no Recife, tinha tudo pra dar certo aqui”, conta a secretária de Educação da capital fluminense, Helena Bomery.

A partir do contato com a rede estadual, uma equipe de técnicos pernambucanos viajou ao Rio para realizar um treinamento visando à implantação do programa. Na época, dez escolas foram selecionadas como unidades experimentais. Deu “muito certo e hoje temos, nesse modelo de educação em tempo integral, 38 escolas. São as escolas que conseguem os melhores resultados nas avaliações internas e externas da qual fazemos parte”, afirma a secretária. De 2010 para 2015, a média das unidades do GEC aumentou de 4,2 para 7,2.

Além das aulas em dois turnos, o Ginásio Carioca repete o modelo adotado pela educação integral em Pernambuco no aspecto da adoção das diretrizes da interdimensionalidade. A proposta foca o protagonismo juvenil como estratégia prioritária e trabalha o exercício da cidadania, através de valores como a autonomia, a solidariedade, a produtividade e a competência. A ideia é formar não apenas o aluno, mas o indivíduo. “Fizemos o nosso modelo em cima do modelo pernambucano. O aluno como protagonista, o professor dedicado a uma única escola e que desenha com o aluno o seu projeto de vida. Isso é uma questão bem marcante e que se tornou um sucesso nas nossas escolas. A comunidade interage bastante. São escolas de alunos felizes”, explica Helena Bomery.

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