Qui, 08 de Outubro

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PIEDADE

Pernambuco realiza primeira coleta de amostras em Piedade após retomada do monitoramento de tubarões

Uma fêmea de tubarão-flamengo foi marcada com uma tag de identificação individual e foram coletadas amostras de tecido, sangue e muco para análises científicas

Após os procedimentos, o animal foi devolvido ao mar com segurançaApós os procedimentos, o animal foi devolvido ao mar com segurança - Foto: Divulgação

A primeira coleta de amostras após a retomada de monitoramentos de tubarões em Pernambuco foi realizada no último sábado (12), na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR). No trecho, o banho de mar é proibido desde julho de 2021, por meio do decreto municipal nº 79/2021.

A operação é realizada pelo Projeto Ecotuba, coordenado pelo Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integra as ações realizadas pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha. 

O objetivo é produzir informações para aprimorar as ações de prevenção de incidentes, segurança aquática e conservação marinha no litoral do estado. 

Tubarão-flamengo
Durante a expedição, uma fêmea de tubarão-flamengo (Carcharhinus acronotus), com 1,40 metro, foi capturada e marcada com marca plástica (tag de identificação individual). 

Segundo Paulo Oliveira, professor do Departamento de Pesca da UFRPE e coordenador do Projeto Ecotuba, a primeira captura aconteceu a uma profundidade de aproximadamente 15 metros.

“O indivíduo foi capturado com espinhel, com isca de moreia. O animal, quando capturado, foi embarcado e o protocolo foi empregado, tendo sido medido, sexado, marcado, e coletado sangue e tecido. Com essas informações, vamos poder entender a biologia e ecologia dos tubarões encontrados no litoral. O esforço de pesquisa continua e esperamos em breve capturar, marcar e monitorar mais tubarões”, explicou.

Após os procedimentos, o animal foi devolvido ao mar com segurança.

A espécie não é uma das associadas a incidentes com banhistas registrados em Pernambuco. Segundo registros históricos do Projeto de Pesquisa e Monitoramento de Tubarões de Pernambuco (Protuba), o tubarão-flamengo é uma espécie de comportamento não agressivo e de ocorrência natural e abundante no litoral pernambucano. 

O animal possui pequeno porte e está, geralmente, associado a águas costeiras, com alimentação predominante composta por peixes ósseos. Ele pode atingir até cerca de 2 metros, apesar de ser pouco frequente. 

 “A captura representa um avanço, pois permite ampliar os dados sobre ocorrência, distribuição, biologia e uso do ambiente por essa espécie no litoral pernambucano”, afirmou o secretário em exercício da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Gustavo Pereira. 

Expedições
As expedições do Projeto Ecotuba começaram em 4 de setembro. Até então, já foram realizados lançamentos na praia de Del Chifre, em Olinda, na RMR; em frente ao Porto e nas imediações do Quiosque 29, em Boa Viagem, na zona sul do Recife; e próximo à Igrejinha de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, com profundidades entre 10 a 20 metros e a cerca de 2 a 3 km da costa. 

Em janeiro deste ano, um adolescente morreu após ser mordido por um tubarão-cabeça-chata na praia de Del Chifre. O menino chegou a ser socorrido para o Hospital Tricentenário, também em Olinda, após ser mordido na coxa direita, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

No final de junho, um menino de 11 anos foi mordido também por um tubarão-cabeça-chata, na Praia de Piedade. Ele sofreu lesões na coxa e na mão, e teve a perna esquerda amputada. 

No dia seguinte, Marcela Vitória de Lima Santos, estudante de direito de 19 anos, teve a perna direita amputada após mordida de um tubarão-tigre na praia de Boa Viagem.

A secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves, acredita que a pesquisa contribuirá para conhecer as espécies que estão na costa e entender como os animais utilizam esse ambiente. 

“Com mais informação e conhecimento científico, podemos aprimorar as ações de prevenção, orientação e segurança para um banho de mar”, afirmou.

ECOTUBA
A iniciativa terá duração de 24 meses, com um investimento de R$ 2.052 milhões, sendo R$ 1.052 milhão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti) por meio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) e R$ 1 milhão pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema). 

A expectativa é a marcação de até 50 tubarões.

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