Celebrada missa em memória de Gisely Kelly, assassinada há um ano

Gisely Kelly foi assassinada há um ano dentro do apartamento, no Recife, pelo então companheiro, empresário Wilson Campos de Almeida Neto, de 42 anos

Missa de um ano da morte de Gisely KellyMissa de um ano da morte de Gisely Kelly - Foto: Gustavo Glória / Folha de Pernambuco

Foi celebrada na noite desta quinta-feira (19) uma missa em memória de Gisely Kelly, assassinada há um ano, no Recife, pelo então companheiro, o empresário Wilson Campos de Almeida Neto, de 42 anos. Ele está preso no Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, e será levado a júri popular, ainda sem data marcada. A missa foi realizada na Paróquia do Bom Parto, em Campo Grande.

“Nós continuamos fazendo um apelo à população para que se manifestem, se juntem a nós a fim de pressionar a justiça para que ele continue preso. É um perigo para nós, da família dela e para qualquer mulher que ele venha a se envolver, caso seja libertado”, diz a prima da vítima, Zenaide Fernanda.

Giselly foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, no dia 19 de julho de 2017. Ela estava sem roupa, no banheiro do apartamento, no quarto andar de edifício localizado na Praça do Rosarinho, Zona Norte do Recife. Imagens das câmeras de segurança do local mostraram os dois chegando juntos por volta de 1h da madrugada após comemoração do aniversário dela de 37 anos. Pouco mais de meia hora depois, ele sai sozinho carregando uma bolsa com roupas. A arma pertencia a Wilson e estava dentro de um cofre localizado no apartamento.

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De acordo com a família, o crime aconteceu porque Gisely pretendia reatar com o ex-marido. “Ele tinha um comportamento agressivo, os vizinhos comentavam, a família percebia, e já tinha atirado dentro do prédio em outra situação. Ele teria visto trocas de mensagens no celular dela com o ex-marido, e a perícia reconhece que ela foi assassinada por motivo fútil, sem chance de defesa”, explica Zenaide.

Já o advogado de defesa, Célio Avelino, argumenta que o tiro foi disparado acidentalmente, durante um jogo sexual que o casal costumava manter. Ele entrou com um recurso para tentar impedir que o cliente seja levado a júri popular. “Não tem motivo. O disparo aconteceu pouco mais de 1h da manhã e pouco depois das 2h ele já tinha se apresentado à delegacia. Pela manhã, entregou as chaves do apartamento, ou seja, colaborou o tempo inteiro. Uma pessoa que tem a intenção de matar outra não sai para comemorar o aniversário e colabora com as investigações”, explica Avelino. “A perícia aponta que eles se despiram na sala e foram para o banheiro juntos. Eles praticavam jogos sexuais, usavam algemas... O tiro foi acidental.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco, no mês de junho foi negado mais um pedido de habeas corpus em favor de Wilson. Segundo relato do juiz Jorge Luiz dos Santos Henriques, publicado no Diário da Justiça Eletrônico, a decisão foi de manter prisão preventiva se deu, também, porque Wilson "teria levado consigo o aparelho celular da vítima, tendo sido apagadas mensagens trocadas por ela, vítima, e seu ex-marido, o que indicaria que teria ele, possivelmente, buscado prejudicar ou dificultar as investigações." O texto diz ainda que o réu "responde a outro processo criminal por acusação de disparo de arma de fogo.

Feminicídio
Gisely entrou para a estatística de feminicídio, quando o crime envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Em 2017, o Estado registrou 40 casos desse tipo de crime. Em 2018 já são 32 vítimas, de acordo com dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS). Nos seis primeiros meses de 2018, foi registrado um total de 19.087 ocorrências de violência doméstica e familiar contra a mulher. Durante todo o ano de 2017, foram 33.344 casos.

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