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Dor e indignação marcam o adeus à jovem morta na Madalena

Amigos e familiares se despediram de Leandra Jennifer da Silva, 22. Suspeito do crime é o marido, Raphael Cordeiro Lopes, 32

Enterro de Leandra aconteceu no Cemitério da VárzeaEnterro de Leandra aconteceu no Cemitério da Várzea - Foto: Alexandre Aroeira / Folha de Pernambuco

Amigos e familiares se despediram da fotógrafa Leandra Jennifer da Silva, 22, que foi assassinada na manhã desse domingo (9) na casa onde morava com o marido e o filho de 1 ano, no bairro da Madalena, na Zona Oeste do Recife. O principal suspeito do crime é o marido, Raphael Cordeiro Lopes, 32, que está foragido. O velório aconteceu no bairro do Prado, e o enterro está previsto para as 12h no Cemitério da Várzea.

A amiga da família Roseane Cândida, que teve a filha, Rayane Cândida, de 20 anos, assassinada pelo companheiro no ano de 2011, falou da dor de ver mais um feminicídio. “O pai de Leandra chorou comigo a dor da morte da minha filha e hoje eu choro a perda dele. O que mais nos revolta é a impunidade que faz com que os assassinatos contra as mulheres continuem”, afirmou.

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O corpo de Leandra chegou ao Cemitério da Várzea por volta das 10h30 sob muitas lágrimas de saudade e revolta. “Eu só queria que isso não ficasse assim, que houvesse pelo menos justiça e que ele pagasse pelo que fez porque ele me deu uma vida e tirou outra de mim. Ele me deu um neto e tirou a vida da minha filha e eu queria algo para somar na minha vida e não para diminuir”, falou, aos prantos, Josiane Oliveira, mãe de Leandra.

A mãe de Leandra afirmou ainda que não esperava que o genro fizesse isso com a filha. “Eu nunca esperava que ele tivesse a capacidade de fazer isso. Eu não via sinais de violência, mas depois do que aconteceu, a vizinhança veio me contar que às vezes escutava os gritos dela. Mas eu sempre aconselhei e dizia a ela que ela não precisava disso porque ela sempre foi trabalhadora e a gente não deve depender de homem”, disse.

“Eu clamo por justiça porque sempre vai existir uma vítima após a outra e a gente precisa dar um basta nisso e ninguém tem que ter medo de falar sobre isso não porque a gente vê acontecer com todo mundo e não imagina que um dia possa acontecer com a gente. Minha filha tinha apenas vinte e dois anos, uma vida inteira pela frente, dois filhos para criar e agora?”, declarou Josiane, sob lágrimas de revolta.

“A vida de Leandra não volta mais, ele conseguiu trancar a minha filha dentro de um caixão para sempre”, disse André Antônio da Silva, pai de Leandra, que estava bastante revoltado. O pai de Leandra afirmou ainda que o genro apresentava um comportamento agressivo.

“Eu não gostava dele, era um cara boçal, que só falava em dinheiro e dizia que entrava na casa de idosos para cobrar dinheiro de dívidas, ele uma vez me disse que colocava a arma na cabeça dos idosos e perguntava pelo filho que estava em dívida com ele e ameaçava até conseguir o dinheiro, depois disso eu avisei a minha filha que ela estava morando com um marginal”, declarou.

“Apesar de todas essas declarações violentas eu não sabia que ele era agressivo com a minha filha, porque nas redes sociais ele era um marido perfeito, postava fotos de viagens para praias, mas quando chegava em casa era outra coisa. Teve um dia que ele chegou em casa e ela não estava e ele começou a atirar para cima, a babá do filho deles que nos contou. Eu acho que o cara que tem uma arma tem maldade, é um cara descontrolado”, afirmou o pai de Leandra.

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