Em julgamento, réu nega ter estuprado e matado fisioterapeuta e desqualifica investigação

Julgamento pelo estupro e morte de Tássia Mirella se realiza nesta segunda no Recife

Edvan Luiz da SilvaEdvan Luiz da Silva - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Durante cerca de uma hora de interrogatório, o comerciante Edvan Luiz da Silva, 34 anos, negou ter assassinado e estuprado a fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo, encontrada morta aos 28 anos em um flat em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, em 5 de abril de 2017. Durante o interrogatório do juiz Pedro Odilon de Alencar no julgamento que se realizada esta segunda-feira, no Recife, o réu tentou desqualificar o trabalho da Polícia Civil e dos peritos do Instituto de Criminalística (IC).

"Me pegaram para fazer de Judas. Entendo a dor que a família da Mirella está passando, mas sinto a mesma dor porque estou sendo condenado pela sociedade. Muitos me olham como se eu fosse um monstro, mas não tenho esse perfil. Que me conhece de verdade sabe que não tenho essa capacidade", disse Edvan.

Sobre as marcas encontradas no seu corpo, que, segundo a polícia, teriam sido causadas pela luta corporal com a vítima, o comerciante diz que foram causados durante briga com flanelinha após sair de um bar na madrugada do crime. Edvan, contudo, não soube explicar as marcas de mordidas encontradas em seu corpo.

"Se eu tivesse cometido um crime como esse, jamais teria ficado no meu apartamento. Teria fugido", disse durante o julgamento que ocorre no Fórum Thomaz de Aquino, em Santo Antônio, no Centro do Recife. Na manhã desta segunda-feira (5), quatro testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) foram ouvidas no tribunal.

Ainda na tarde desta segunda, acontece o debate entre o promotor e a defesa, em que cada um tem até 90 minutos para expor seus argumentos. Caso tenha réplica para o promotor, dura, no máximo, 60 minutos, mesma tempo previsto para a tréplica para a defesa. Por fim, é feito o julgamento pelo Conselho de Sentença.

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Entenda o caso

A fisioterapeuta Tássia Mirella de Sena Araújo foi encontrada sem vida no dia 5 de abril de 2017 na sala do flat onde morava, no 12º andar do edifício Golden Shopping Home Service, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Segundo a perícia, Tássia Mirella foi encontrada sem roupa e teve o pescoço cortado, tipificando o crime em feminicídio.

No dia 25 de abril no mesmo ano, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra Edvan Luiz da Silva, 34, por homicídio qualificado. Depois disso, foram realizadas duas audiências de instrução, encerrada com o interrogatório do réu e a pronúncia do juiz. O suspeito que nega a autoria do crime, foi encaminhado ao presídio de Igarassu, no Grande Recife.

Em novembro de 2017, o governador Paulo Câmara assinou a Lei nº 16.196, onde instituiu a data do crime, 5 de abril, como o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio em alusão a morte de Tássia Mirella.

 

 

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