Lajedo: histórias e legados nos 71 anos de emancipação

Conheça curiosidades e um pouco da história política do município do Agreste de Pernambuco

Grupo Escolar Deolinda Amaral foi fundado pelo então prefeito Antônio Dourado com projeto de lei de Armando de Queiroz MonteiroGrupo Escolar Deolinda Amaral foi fundado pelo então prefeito Antônio Dourado com projeto de lei de Armando de Queiroz Monteiro - Foto: Divulgação

Lajedo completou, nesta terça-feira (19), 71 anos da sua emancipação política, mesma data de aniversário do Grupo Escolar Deolinda Amaral - GERDA, principal escola de referência do município, que completa 67 anos. A unidade escolar foi construída pelo governador Barbosa Sobrinho, por meio de um projeto de Lei do então deputado estadual Armando de Queiroz Monteiro, avô do presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro. O vínculo das famílias Queiroz Monteiro e Dourado com Lajedo é antigo e conta um pouco da história de emancipação política do município.

Antes de 1949, Lajedo era distrito de Canhotinho e viraria município autônomo por sugestão e decreto do então governador Barbosa Lima, que indicou um interventor até que houvesse a eleição municipal. Apesar do decreto de emancipação ser de 24 de dezembro de 1948, Lajedo comemora a data de 19 de maio de 1953, dia em que José Nonato de Oliveira entregou a prefeitura ao novo prefeito Antônio Dourado Cavalcanti, irmão de Maria José Dourado, esposa do então deputado estadual Armando de Queiroz Monteiro. Localizado na Microrregião de Garanhuns e na Mesorregião do Agreste Pernambucano, o município foi batizado com esse nome em referência aos “lajeiros” no seu entorno, área chamada de “Caldeirões”, que armazena água de chuva e que durante muito tempo abasteceu a cidade.

Para além dos laços familiares, Antônio Dourado e Armando de Queiroz Monteiro consolidaram um grupo político que esteve no comando do município desde a fundação até o final da década de 70. Antônio Dourado participou e ajudou a campanha de Armando a deputado federal e depois foi retribuído quando ele mesmo se candidatou a uma cadeira da Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde exerceu quatro mandatos. Além da construção da escola, a gestão de Antônio Dourado foi responsável por obras de saneamento e a infraestrutura de Lajedo.

"Quando papai foi prefeito ele era médico. Então no governo ele construiu coisas importantes. Ele deixou Lajedo 100% saneado com água e esgoto, teve a construção dessa escola, as obras de infraestrutura, tanto a parte do saneamento e os primeiros calçamento da cidade e o traçado da cidade", conta o Antônio Dourado, filho do ex-prefeito. Segundo Antônio, o modo de governar do grupo político de seu pai era contrário à reeleição. "Ele foi prefeito nesta vez e não concordava que o conjunto político dele tivesse nenhum prefeito reeleito. então ficaram no poder desde a fundção da cidade até 1976. Nesse período nunca teve um prefeito que fosse repetido", afirma.

De médico a prefeito

Após estudar medicina no Rio de Janeiro e na Bahia, Antônio Dourado veio ao Recife e conheceu a região de Lajedo por acaso. " Tinha um juiz de direito que morava em Quipapá e convidou meu pai para ir passar uns dias lá. Quando ele chegou, tinha uma crise enorme de malária que estava matando muita gente na região nessa época. Ele, como médico, começou a estudar a malária para uma tese de doutoramento. Estudou a malária convivendo com a doença. Quando ele vinha para o Recife, passava por Lajedo e por coincidência encontrou uma pessoa conhecida dele lá", conta seu filho. Antônio acabou se candidatando a prefeito em Canhotinho, eleição que não proclamou resultado e viria a originar o acordo para a emancipação política, com apoio de Barbosa Lima e Armando de Queiroz Monteiro.

De médico a jogador

Além da paixão pela medicina, Antônio Dourado tinha vocação com a bola no pé. Quando estudava na Bahia, integrou a seleção baiana e ficou famoso por "parar" o craque Leônidas da Silva, ídolo da canarinha. Ele mesmo viria a ser convocado para seleção brasileira e só não disputou a copa de 1934 porque seu pai exigiu que ele concluísse a faculdade de medicina naquele ano.

Quando foi estudar medicina do Rio de Janeiro, levou uma carta de referência do governador do Estado e do arcebispo de Recife e Olinda, mas ainda assim não conseguiu a vaga na universidade que pretendia. Foi, então, a convite de um amigo, participar de um treino no Flamengo e impressionou. Quando soube que ele não ficaria no Rio de Janeiro por ter sido recusado pela universidade de medicina, o presidente do clube foi pessoalmente com ele até a instituição e garantiu sua vaga. Assim ele pode defender a equipe rubro-negra.


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