Mercado da Boa Vista passará por reformas

Obras começam na próxima semana. Mercado de São José também será requalificado, com mudanças em toda infraestrutura

Projeto prevê  reforma dos  banheiros, toldos, parte elétrica e  levantamento  topográfico para  solucionar problemas hidráulicosProjeto prevê reforma dos banheiros, toldos, parte elétrica e levantamento topográfico para solucionar problemas hidráulicos - Foto: Anderson Stevens

O Mercado da Boa Vista, localizado na rua de Santa Cruz, área central do Recife, passará por um processo de intervenção até o fim do ano. O primeiro passo será a reforma nos banheiros, com obras previstas para serem iniciadas até a próxima semana. O projeto, orçado em R$ 300 mil, também contemplará a reforma dos toldos do equipamento e um levantamento topográfico para solucionar os problemas hidráulicos e sanitários. A parte elétrica também será revista. O pátio do Mercado da Boa Vista também sofrerá intervenção através do programa Calçada Legal, gerido pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB). Toda pavimentação será executada em materiais antiderrapantes, como pisos táteis, sinalizadores e direcionais.

 “Com a reforma do pátio, vamos resolver a questão do nivelamento do espaço e poder trabalhar melhor a acessibilidade. Mesmo não sendo uma área tombada, ela tem suas restrições”, explica a presidente da Companhia de Serviços Urbanos (Csurb), Berenice Andrade Lima. Para quem trabalha no local, há uma série de questões que precisam ser resolvidas. Desde problemas estruturais até a questão da segurança. No local, funcionam 63 boxes, entre eles o do comerciante Lenilson Ferreira, de 60 anos.

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“Meu pai tinha comércio aqui no mercado e depois passou para mim. Atualmente, o espaço está totalmente abandonado em termos de segurança, fora alguns problemas de estrutura. Não temos estacionamento para os clientes, não temos manutenção aqui. Precisamos de uma reforma urgente”, reivindica. “Será muito boa a reforma do banheiro, pois o que temos aqui não dá vencimento para os clientes nos fins de semana”, afirma a comerciante Sônia Maria.

Outro equipamento histórico que também passará por processo de requalificação é o Mercado de São José. Sua última intervenção foi realizada em 1994, cinco anos após um trágico incêndio que destruiu boa parte da estrutura. O investimento será de R$ 9,5 milhões, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas, que visa a recuperação de patrimônios. O processo de licitação será aberto a partir de janeiro de 2019 e as obras devem começar no segundo semestre do mesmo ano, de acordo com a URB. O espaço abriga 590 boxes - no projeto esse número será mantido e o espaço padronizado - em uma área de 1.868 m², e acumula uma série de problemas, como esquadrias quebradas, estruturas de ferro danificadas, pisos inadequados que dificultam a limpeza, cobertura com vazamentos, entre outros.

“Nós vamos mexer em toda parte de infraestrutura. Desde a rede segurança, no combate a incêndio, até as instalações elétricas e hidrossanitárias, carga e descarga de lixo. Temos que refazer a drenagem das águas que correm pelo interior, também. Recuperar toda a estrutura de ferro e as venezianas, além de garantir a acessibilidade”, explica a diretora de Planejamento e Projetos da URB, Rúbia Campelo.

Para o comerciante Marcones Soares, de 60 anos, a reforma é necessária, mas é preciso que as mudanças atendam as demandas do cotidiano de quem trabalha no mercado. “O banheiro aqui está muito ruim, as telhas também precisam ser trocadas. A reforma é necessária, mas sou contra a criação de um primeiro andar. Quem vem até o mercado não vai querer subir e pode atrapalhar o movimento”, diz.

O comerciante se refere à criação de um mezanino para abrigar os bares e restaurantes que hoje se localizam na frente do mercado. “É normal que as pessoas resistam no primeiro momento, mas temos o caso do Mercado Público de São Paulo. Um modelo que funciona hoje não só como mercado de abastecimento, mas é um grande atrativo cultural para a cidade”, afirma Rúbia.

Integra o processo de requalificação do Mercado de São José, a transferencia de 81 feirantes que ocupam hoje o entorno do espaço. Eles deveriam ter sido remanejados para essa área desde o incêndio ocorrido em 1989. Os comerciantes deverão ser remanejados até o fim de agosto, para o novo centro comercial do Cais de Santa Rita, cuja obra dos anexos do Mercado de São José está em fase de conclusão.

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