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Mutirão realiza transplante de córnea em cerca de 30 pacientes

A ação, promovida pela Central de Transplantes de Pernambuco, atenderá os pacientes que já aguardavam na fila de espera com todos os exames e condições clínicas para passar pelo procedimento

Atualmente, cerca de 100 pessoas aguardam pelo transplante de córnea em PernambucoAtualmente, cerca de 100 pessoas aguardam pelo transplante de córnea em Pernambuco - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Cerca de 30 pessoas serão beneficiadas com transplante de córnea durante um mutirão realizado nesta quinta (26) e sexta-feira (27) na sede do Serviço Oftalmológico de Pernambuco (Seope), no bairro da Ilha do Leite, área central do Recife.

A ação, promovida pela Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), atenderá os pacientes que já aguardavam na fila de espera com todos os exames e condições clínicas para passar pelo procedimento cirúrgico.

Segundo a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes, atualmente, cerca de 100 pessoas aguardam pelo transplante de córnea no Estado.

“Pernambuco possui 14 centros cadastrados pelo Ministério da Saúde para fazer transplantes de córnea. A maior parte pelo SUS. Cada serviço inscreve seus pacientes nessa fila única e as córneas doadas são distribuídas de acordo com a data de inscrição de cada paciente”, afirmou Noemy.

Ainda de acordo com ela, Pernambuco possui, desde 2017, o status de córnea zero. “Isso significa que os pacientes esperam menos de 30 dias a partir do momento que eles estão prontos para fazer o transplante”, contou.

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A agricultora Maria Regina da Conceição, de 56 anos, perdeu a visão do olho esquerdo e fará cirurgia nesta quinta. “Caiu um cisco no olho, ficou ardendo. Eu me consultei com médico, fiz exames, mas foi mesmo que nada. Com fé em Deus eu vou fazer essa cirurgia para ficar boa e voltar a ser do jeito que eu era e passear para todo canto”, explicou.

Thalles Figueiredo, de 20 anos, é mecânico e teve a córnea do olho direito atingida enquanto andava de moto. “Bateu alguma coisa no meu olho e eu comecei a coçar. Precisei fazer o transplante e essa já é a quarta vez que faço a cirurgia porque houve rejeição das córneas anteriores”, contou Thalles.

Ele disse ainda que, após o acidente, a córnea do olho atingido mudou de cor, prejudicando a visão. “Eu não consigo enxergar direito e nem trabalhar. Estou na expectativa que dessa vez vai dar certo”, relatou.

O aposentado Josias Carneiro de Melo, de 86 anos, está com a córnea do olho esquerdo prejudicada e vai precisar fazer transplante pela segunda vez. “Vou ter que fazer novamente. Eu não consigo enxergar direto e sinto alguma coisa arranhando dentro do olho”, contou.

O oftalmologista do Seope, Luiz Felipe Lynch, contou que o transplante de córnea dura em média uma hora e é feito normalmente com anestesia local, sem a necessidade de internação hospitalar.

“A córnea é uma estrutura que funciona como uma lupa na frente do olho, se ela não for transparente nem regular, o paciente não consegue enxergar. O sucesso da cirurgia é variável de acordo com a doença, podendo demorar algumas semanas ou até meses. O paciente vai para casa no mesmo dia”, contou o oftalmologista do Seope.

Ainda de acordo com Luiz Felipe, após a recuperação, os pacientes podem ter uma vida independente e com maior qualidade.

Transplantes de córneas em números
Pernambuco contabiliza 720 transplantes de córnea realizados em 2019. Desde 1995, ano de criação da Central de Transplantes, já se somam mais de 12,4 mil transplantados de córnea. Atualmente, 100 pacientes estão na fila de espera pelo procedimento.

Em 2019, o Seope realizou 135 transplantes de córnea, ocupando, atualmente, a 2º colocação entre os centros transplantadores com maior produção no Estado.

Doação
Após o falecimento, todas as pessoas são potenciais doadoras de córnea. A doação pode ocorrer até 12 horas após o falecimento e a retirada do tecido dura menos de uma hora, podendo ficar armazenado para o transplante por até 14 dias.

No Estado, as unidades que mais captam córneas são o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), Hospital de Câncer, Hospital da Restauração, no Recife, e o Hospital Mestre Vitalino, no Agreste. Além das unidades locais, a CT-PE recebe doação do tecido de outros Estados da federação.

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