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O que é que os quiosques de Boa Viagem têm? Confira o raio X

O Portal FolhaPE traz dicas para quem deseja curtir o calçadão da praia, que conta com 60 quiosques

Moradora de Boa Viagem há oito anos, a aposentada Cátia Buarque, de 60 anos, gosta de caminhar pela orla e aproveita para de hidratar Moradora de Boa Viagem há oito anos, a aposentada Cátia Buarque, de 60 anos, gosta de caminhar pela orla e aproveita para de hidratar  - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Localizado na principal e maior orla do litoral do Recife, o calçadão de Boa Viagem reúne, em oito quilômetros, 60 quiosques e oferece gratas surpresas para quem deseja lanchar ou até comer uma refeição num desses espaços. Às vésperas da requalificação dos quiosques, prevista para ser anunciada ainda este mês pela Prefeitura da cidade, a reportagem do Portal FolhaPE percorreu, semana passada, toda a extensão da orla, entre Brasília Teimosa, no Pina, até o fim da localidade de Setúbal, em Boa Viagem, no limite entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. Nesse percurso, há quiosques oferecendo frutos do mar, drinques elaborados, frutas, mas também existem senões, como variação de preço de 100% e algumas estruturas não tão bem conservadas e com janelas quebradas.

Com 60 quiosques à disposição dos moradores e turistas, a maioria desses espaços, no entanto, pouco inova na oferta de produtos. É possível perceber que grande parte comercializa apenas bebidas, entre elas água mineral, água de coco, refrigerante, cerveja e cachaça. No quesito alimentos, é possível perceber grande quantidade de salgadinhos industrializados, além de amendoins e guloseimas. Apesar de ser verão, a reportagem não encontrou nenhum quiosque comercializando picolés ou sorvete, mesmo identificando a procura do gelado por parte dos frequentadores da orla.

Um dos quiosques mais frequentado pela variedade de produtos é o de número 32, nomeado “Kioske das Frutas”, próximo à Padaria Boa Viagem. Lá, é possível encontrar muitas opções de frutas tanto nacionais quanto internacionais - a exemplo do caqui da Irlanda e da atemoia da Itália -, que podem se tornar suco ou salada.

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De acordo com o atendente e especialista em sucos Alexandre Felix, de 29 anos, o quiosque funciona há três meses e está sendo bastante requisitado. “Os sucos mais pedidos são os de abacaxi com limão siciliano, abacaxi com hortelã e gengibre com limão e hortelã", contou. Os preços variam de R$ 5 a R$ 8. O local também oferece sucos de maracujá com cajá e tangerina; morango com framboesa e amora, além de um variado cardápio de opções.

No local é possível encontrar grande variedade de frutas nacionais e importadas

O "Kioske das Frutas" disponibiliza grande variedade de frutas nacionais e importadas - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

No local, o copo de 500 ml de salada de frutas custa R$ 10, que pode receber acompanhamento de granola, mel ou leite condensado. Tudo fica a gosto do cliente, que também pode comprar as frutas individualmente já descascadas, cortadas e embaladas a partir de R$ 5.  É possível encontrar ainda a fruta mexicana pitaya por R$ 20. O quiosque possui sanduíche natural (R$ 12), açaí de 300 ml (R$ 15), além de drinques a partir de R$ 12. O local, que funciona das 6h30 às 23h, oferece também 11 guarda-sóis com cadeiras à beira-mar, disponibilizando os produtos. “Parei no quiosque pela qualidade e variedade das frutas. O aroma também me atraiu bastante", afirmou a aposentada Cátia Buarque, de 60 anos, moradora de Boa Viagem há oito anos.

É possível consumir os produtos do quiosque também na praia

 

É possível consumir os produtos do quiosque também na praia - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Outros dois quiosques badalados são os de número 50 e 51. Localizados nas proximidades de Setúbal, os espaços oferecem grande variedade de drinques e cervejas long necks altamente geladas. Administrando há dez anos os dois estabelecimentos, Ana Maria de Paula, 43, conta que uma das bebidas mais pedidas é o ‘Coco Louco’, feito com a polpa e a água do coco, além de gelo, açúcar ou leite condensado. O copo de 500 ml custa R$ 6.

Bastante atenciosa, a proprietária diz que o segredo do sucesso dos espaços, que também contam com guarda-sóis e cadeiras na praia, é o "bom atendimento e a qualidade dos produtos". “Temos clientes muito fiéis. Tento inovar com aquilo que já tenho, fazendo a junção de frutas, e tem dado certo”. Lá, o copo de 400 ml da tradicional caipirinha custa R$ 6. Já o suco energético, feito com morango, catuaba, ginseng, gelo, açúcar e banana, custa R$ 7 com leite (sem leite,  R$ 6 o copo de  500 ml). 

A variedade de sucos e drinks no Quiosque 51 é enorme

 

A variedade de sucos e drinques no Quiosque 51 é enorme - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Um dos mais pedidos é o energético de clorofila, feito com kiwi, hortelã, espinafre, catuaba e guaraná em pó, além de banana, gelo e leite em pó (R$ 7 o copo de 500 ml). Os quiosques 50 e 51 também oferecem petiscos, a exemplo da porção de bolinho de bacalhau ou de charque (R$ 15); camarão alho e óleo com fritas (R$ 30); calabresa com fritas (R$ 19) e espetinho (R$ 6,50). Do local, sai o bloco “Nós ensaia, mas num sai” no domingo que antecede o Carnaval.

De férias com a família no Recife, a analista de sistemas Carina Carvalho, 40 anos, que mora em São Paulo, elogiou a praia e o calçadão, onde pedala pela ciclovia. Após uma pedalada, contou que foi atraída pelo cheiro das frutas e aproveitou para tomar suco de cupuaçu (R$ 5), "O preço é bem justo, porque em São Paulo é absurdo. Lá eu pagaria, no mínimo, R$ 9. Lá, um coco custa R$ 8 e são bem menores do que vendem aqui”, disse.

Vista do Quiosque 51

A analista de sistemas Carina Carvalho no Quiosque 51 - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Administrando há três anos o ‘Quiosque 57’ após dez anos como barraqueiro, Cristiano Severino Silva, 47, conta que o espaço possui três funcionários, que atendem também na praia, com mesas e cadeiras do próprio estabelecimento. “Esse é o meu diferencial. Além da água de coco (R$ 3) e refrigerante (R$ 5), eu sirvo peixe a partir de R$ 40, fritas com carne de sol ou com calabresa por R$ 25 e cerveja latão por R$ 5. Estou sempre agregando.”, afirmou.

Ao mesmo tempo em que visa ao crescimento do estabelecimento, Cristiano lamenta a atual estrutura dos quiosques, que, de acordo com ele, não está adequada para a variedade de alimentos e produtos. O quiosque 57 funciona das 7h às 19h e fica nas proximidades do Posto 8, já perto da Praia de Piedade, em Jaboatão.

Na orla, a opção para muitos é a tradicional tapioca nordestina. No quiosque nº 27, nomeado "Pense Numa Tapioca", é possível encontrar a iguaria com recheio de coco com queijo por R$ 8,90 ou de carne de sol com queijo coalho, por R$ 16,40. Há ainda outras opções no mesmo local. Também é possível encontrar tapioca no quiosque 49. Por lá, a variedade de recheios doces e salgados é grande e os preços variam de R$ 6, só de coco, até R$ 9, a de prestígio.

Preços

No geral, os preços dos produtos oferecidos nos quiosques variam em até 100%.  A água de coco tem preço que vai de R$ 3 a R$ 5, já a garrafa de 500 ml de água mineral custa de R$ 1,50 a R$ 3, uma variação de 100%.  A reportagem observou que os valores maiores da água de coco e da água mineral são cobrados em quiosques próximos ao Posto Sete de Observação, perto do Parque Dona Lindu.

A cerveja latão, que custa de R$ 4 a R$ 6, é  um dos produtos mais vendidos nos quiosques. A cerveja em embalagem long neck também é bastante procurada e tem preço variado de R$ 7 a R$ 9. O refrigerante em lata de 350 ml sai a partir de R$ 3,50, podendo chegar a R$ 6. Entre os destilados, a caipirinha é a mais pedida nos quiosques que oferecem a bebida - preços começam em R$ 6 e vão até R$ 10.

Há preços variados também do açaí. O gelado, que é comercializado com acompanhamentos opcionais a exemplo da granola, leite condensado e banana, custa a partir de R$ 4, podendo chegar a R$ 6 a porção de 100 ml; e de R$ 10 a R$ 15 a de 300 ml.

Os petiscos também são oferecidos em alguns quiosques. O mais pedido, de acordo com o levantamento realizado pelo Portal FolhaPE, é a porção de batata frita, encontrada de R$ 20 a R$ 25. A porção de fritas com calabresa ou com carne de sol é muito pedida - os valores vão de R$ 25 a R$ 35. O peixe mais em conta é o ‘Castanha’, que sai de R$ 40 a R$ 55, mas, em média, o peixe é, em média, R$ 60 a ‘Anchova’, podendo chegar a R$ 100 a ‘Cioba’. Os horários de funcionamento dos quiosques da orla de Boa Viagem variam de 7h até às 23h. Já o policiamento na orla de Boa Viagem, segundo a Polícia Militar de Pernambuco, acontece por agentes do 19º Batalhão, diuturnamente, com patrulhamento a pé e em guarnições táticas.

Nem tudo é sol, sombra e água fresca...

Durante o percurso - feito em três dias -, a reportagem se deparou com cerca de 15 quiosques fechados. Alguns deles só funcionam aos fins de semana, outros não operam mais e estão com danos aparentes, causados pelo mau uso da estrutura, vandalismo e também pela maresia, segundo quiosqueiros das proximidades e frequentadores da orla. 

A reportagem também encontrou exposta e enferrujada a estrutura de ferro de muitos dos bancos de concreto da orla, podendo ferir quem deseja sentar e apreciar a vista para o mar. “É um abandono. O mar é lindo, é belo. Mas é uma decepção para os turistas. Muitos vão para Porto de Galinhas, no Litoral Sul, e não querem saber de Recife. Os bancos estão com os vergalhões enferrujados e isso é muito ruim para a cidade”, relatou o aposentado Jorge Pacheco Silva, de 71 anos.

O problema dos bancos está com uma solução sendo pensada pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), segundo informou o órgão. De acordo com a a Emlurb, está sendo desenvolvido novo modelo de bancos a serem implantados em toda a orla do Recife, desde o bairro de Brasília Teimosa, até o limite com Jaboatão.

A Emlurb informou ainda que os atuais bancos da Avenida Boa Viagem foram implantados entre 2006 e 2007, desenvolvidos em concreto, como determinavam as Normas Técnicas da época, e que “como os equipamentos são submetidos a uma série de intempéries naturais, salinidade elevada, além de ações provocadas pelos usuários, de forma paliativa”, a autarquia informou que realizará a troca de placas de concreto dos bancos, reduzindo a probabilidade de acidentes.

Ainda de acordo com a Emlurb, em alguns casos, onde não existe diferença de altura entre o lado do calçadão e o lado de areia, e os bancos que estão muito deteriorados já estão sendo retirados. Segundo a Emlurb, em 2018, foram investidos entre R$ 350 e 400 mil na troca de cerca de 700 peças de concreto que compõem os bancos.

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