Obra em estação de esgoto gera polêmica

Moradores do Conjunto Residencial Universitário reclamam do mau cheiro e da não participação na decisão da reforma

Estação de esgoto dentrro do conjunto residencial universitário Várzea, na foto Antônio Fernando moradorEstação de esgoto dentrro do conjunto residencial universitário Várzea, na foto Antônio Fernando morador - Foto: Kleyvson Santos/Folha de Pernambuco

A instalação de um novo sistema de tratamento de esgoto no Conjunto Residencial Universitário, situado próximo à UFPE, na Várzea, Zona Oeste do Recife, está provocando polêmica entre os moradores do local. Antes desativado, o que refletia em sérios problemas de retorno de esgoto aos apartamentos e de poluição no rio, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi modernizada pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), mas, agora, apresenta outros problemas. A falha em uma válvula do tanque tem provocado mau cheiro, incomodando moradores dos blocos próximos ao equipamento. A polêmica ainda aumentou porque, segundo os condôminos, a administração do residencial não comunicou, em assembleia, sobre a necessidade da reforma na ETE, nem como seria a intervenção.

A reforma no equipamento ocorreu há um ano, mas nos últimos 20 dias o odor tem se intensificado. Morador há 30 anos do condomínio, Antônio Fernando, 60, reclama que o mau cheiro tem atraído muriçocas. “Ninguém aguenta mais. Chega fim de tarde é tanta muriçoca que a gente precisa ficar com aquelas raquetes elétricas, repelente”, queixou-se. Da varanda, Antônio vê parte da ETE.

Assim como ele, a moradora Ana Lúcia Alves, 53, classificou como irresponsabilidade da gerência do condomínio a realização da obra sem o aval dos moradores. O conjunto tem 20 blocos, com 320 apartamentos. Cerca de mil pessoas moram no local. “Qualquer intervenção tem que ser comunicada. Não é permitir e pronto”, afirmou ela, que reside há 36 anos no local. Até cerca de um mês atrás, um caminhão-pipa entrava no conjunto para recolher dejetos, mas, após várias reclamações, a atividade foi suspensa.

A Compesa afirmou, em nota, que “recuperou recentemente a Estação de Tratamento de Esgoto do Conjunto Residencial Universitário” e que, em relação ao odor, a questão já havia sido “sanada”. Ainda segundo a companhia. “não houve e não há problema infraestrutural com os tanques da unidade”. A Folha esteve ontem no local e o mau cheiro persistia.

Síndica do Conjunto Residencial Universitário há dez anos, Marluce Figueirôa justificou a não realização de uma reunião com os moradores afirmando que a ETE é de responsabilidade da Compesa e, portanto, não caberia a ela intervir, mesmo estando o equipamento no interior do condomínio. “Os técnicos vêm sempre para avaliar o sistema e deram prazo até o fim de janeiro para reparar a válvula. Acredito que é preciso esperar para, então, reclamar de algo”, declarou Marluce. 

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