Olindenses denunciam abandono no Sítio Histórico; veja fotos

Moradores se queixam de descarte irregular de lixo, pichações e ruas usadas como banheiro público

Lixo acumulado nas calçadas da Rua Joaquim CavalcantiLixo acumulado nas calçadas da Rua Joaquim Cavalcanti - Foto: Rafael Furtado / Folha de Pernambuco

Tombado pelo Iphan e intitulado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Sítio Histórico de Olinda está à deriva. A queixa dos moradores aponta para inúmeros problemas. Pontos críticos de lixo em cada esquina, pichações, os becos e travessas mais parecem banheiros a céu aberto. O odor de urina é perceptível só em passar no lugar. O cenário é de abandono e a população local reclama que procura a gestão municipal, mas nunca é atendida. A Folha de Pernambuco deu um giro no centro histórico à procura das queixas apontadas pelos olindenses.

No encontro das ruas João Martiniano da Silva com a Bica dos Quatro Cantos, no bairro do Amparo, o aviso que proíbe lixo no local parece não existir. O mau cheiro tem incomodado bastante as pessoas das casas do entorno. “Fora a quantidade de mosca. Jogam de tudo aqui, até cachorro morto. Já reclamamos à Prefeitura, mas é à toa. Teve um funcionário de lá que ainda veio com ironia e me mandou reclamar ao Ministério Público”, queixou-se o aposentado Lúcio Coutinho, 79 anos, morando há 20 no local. Na rua Joaquim Cavalcanti, o cenário se repete. Por lá, amontoados de entulhos e lixo também estão presentes. “Falta coletiva seletiva, de tudo. Olinda está entregue às baratas”, reclamou um outro morador que preferiu não se identificar.

Acúmulo de lixo na Rua João Martiniano da Silva (rua que liga a Rua Bica dos 4 cantos). Moradores reclama da fedentina e da quantidade de ratos e insetos

Acúmulo de lixo na Rua João Martiniano da Silva (rua que liga a Rua Bica dos 4 cantos). Moradores reclamam da fedentina e da quantidade de ratos e insetos - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Mais à frente, na entrada do Carmo, nas proximidades de uma creperia, a travessa João Alfredo nem sofre tanto com o lixo, mas com o odor de urina. Como se não bastasse, desde que um poste foi retirado do lugar, a gestão municipal não repôs o equipamento e quando cai a noite, a via fica praticamente um breu. “Ninguém está aguentando. Já tínhamos esse problema do mau cheiro e depois que ficamos sem poste na rua aumentou o número de pessoas que vêm aqui e fazem xixi. Nem pudor eles têm. Minha mãe é uma senhora e eles não se acanham de abaixar as calças e fazer xixi no muro das casas”, protestou a moradora Glória Amaral, 65, reforçando que os moradores estão revoltados com a falta de iluminação. “Fora que não só aumentou a fedentina, mas o escuro tem feito pessoas virem aqui para se drogarem. A prefeitura precisa fazer alguma coisa”, complementou.

Cansados de reclamar à gestão do município, moradores de um beco que liga a rua Henrique Dias à Coronel João Lapa tomaram a atitude de colocar grades nas duas saídas. Elas ficam abertas nas primeiras horas da manhã até o fim de tarde. “Até um ano atrás, o pessoal usava esse beco de banheiro, para se drogar e fazer sexo. Já imaginou, tu chegas à noite, cansado do trabalho e se depara com um povo fumando crack bem na porta da tua casa? A grade foi a melhor solução”, disse Márcio Abreu, 34, um dos moradores do beco.

“E ainda temos que conviver com o lixo que moradores de ruas do entorno jogam. É descaso atrás de descaso e olhe que estamos aos fundos da prefeitura e ninguém vê nada”, acrescentou. Procurada, a Prefeitura de Olinda se limitou a dizer que “a Secretaria de Infraestrutura de Olinda mandará uma equipe para verificar o mau cheiro e a falta da coleta de lixo nos principais pontos turísticos no Sítio Histórico”.

Veja também

Pernambuco registra 1.391 novos casos e 56 óbitos por Covid-19, nas últimas 24 horas
Coronavírus

Pernambuco registra 1.391 novos casos e 56 óbitos por Covid-19, nas últimas 24 horas

Oito atletas desfalcam Santa por conta da Covid-19
Série C

Oito atletas desfalcam Santa por conta da Covid-19