Pernambuco tem segundo melhor desempenho de mulheres com carteira assinada
Cerca de 42,6% da mulheres trabalham com carteira assinada. O Estado só fica atrás de Alagoas (44,2%)
Encontrar uma oportunidade de trabalho não é uma tarefa fácil diante de uma alta taxa de desemprego que temos atualmente. Embora o quadro venha mudando lentamente por conta da retomada econômica, as mulheres são quem ainda mais sofrem com a falta de emprego.
Por sua vez, um dado mostra um cenário mais favorável às mulheres. É que o Estado tem o segundo melhor desempenho em relação a proporção de mulheres atuando no mercado de trabalho formal, com 42,6% trabalhando com carteira assinada. Só fica atrás de Alagoas (44,2%).
E quem já atua há quase quatro anos no mercado de trabalho é a barista Emanuele Silva. Para ela, o mercado de cafés vem crescendo desde 2017, o que facilitou sua entrada na função. “Esse setor está mais abrangente e facilita a nossa inserção. Numa cafeteria é comum ter mais mulheres do que homens atuando”, explica.
Segundo uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados da Pnad do 4º trimestre, em Pernambuco, a diferença salarial entre homens e mulheres é de cerca de 14%. Para Emanuele, o dado não é algo surpreendente. “É um número antigo e isso vai se perdurando com o tempo. Desde sempre existe esse conceito pré-histórico do homem ir em busca de trabalho e sustentar a família”, afirma.
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Ainda de acordo com ela, falta incentivo e uma rede de apoio às mulheres. “A mulher muitas vezes não tem com quem deixar o filho na hora de ir em uma entrevista. Quando consegue emprego, é difícil sair cedo caso o filho fique doente ou quando há uma reunião no colégio”, acrescenta dizendo que sem creches suficientes para matricular os filhos causa um desestímulo e atrapalha o dia a dia na busca por uma oportunidade ou qualificação.
Um outro dado divulgado pela pesquisa do Dieese é que a cada grupo de 100 mulheres, cerca de 47 não contribuem para previdência social. De acordo com a ajudante de cozinha Inajá Mendes, isso pode prejudicar as mulheres. “Com a falta desse pagamento, pode acarretar no não pagamento de aposentadoria e benefícios como o auxílio maternidade”, destaca. Ainda de acordo com ela, o mercado de trabalho está cada vez mais complicado. “A mulher ainda trabalha mais e ganha menos e somos menos valorizadas. E isso incomoda porque a mulher tem que ser guerreira para dar conta de tudo”, complementa Inajá.
E há quem sofre com essa busca por uma oportunidade há muitos anos. Desde 2013 que Maria Cristina busca uma vaga de emprego na função de camareira, que é sua área. Mas de acordo com ela, está aceitando o que vier. “Desde então estou fazendo faxina para conseguir uma renda. A gente que é mulher trabalha demais e faz tudo, quando junta com trabalho doméstico piora”, lamenta.

