"Personal organizers" são indiciadas suspeitas de furtar bens de clientes no Recife

Empresa trabalhava com organização de armários; itens foram encontrados com funcionária

Partido deve apresentar candidato para disputar Prefeitura do RecifePartido deve apresentar candidato para disputar Prefeitura do Recife - Foto: Google Street View

A proprietária e uma funcionária de uma empresa de organização de espaços e armários (conhecida como "personal organizer") foram indiciadas em dois inquéritos policiais no Recife, suspeitas de furtar bens das casas de clientes. O relato de uma das vítimas ganhou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira (21). No texto, após o serviço, a cliente deu falta de vários itens, como roupas e bolsas. 

No Facebook, a funcionária pública Helena Martins, de 43 anos, fez um relato sobre a contratação do serviço da Bye Bye Bagunça, em agosto de 2015, que acabou lhe causando dor de cabeça após os furtos ocorridos. Às vésperas do casamento dela, que seria em setembro daquele ano, Helena contratou a empresa para organizar seu armário de modo que as roupas do marido, que se mudaria para o apartamento em breve, pudessem ser colocadas. "Contrato feito, paguei 4 mil reais pelo trabalho e, durante 3 semanas, estiveram desfrutando da intimidade da minha casa e de seus cômodos a empresária Dulce e sua ajudante Nathaliê Drielle Menezes Maciel", conta a vítima no post que viralizou

Ao término do trabalho de organização, Helena começou a sentir falta de alguns itens, como bolsas, saias e vestidos. Em contato com Dulce Lucena Mello, proprietária da Bye Bye Bagunça e que havia estado no apartamento, foi informada de que os itens estariam onde a ajudante, Nathaliê os havia deixado. Após uma busca, Helena não os encontrou e deu falta de outros objetos, como sapatos, biquínis e novas roupas. "Quem me conhece sabe que meu padrão de consumo é mais afetivo e lúdico do que de outro tipo. A cada nova ausência constatada no armário, uma história a menos, uma lembrança a menos e menos vontade de abri-lo novamente", relatou.

Depois de listar todos os pertences que haviam sumido, Helena falou mais uma vez com Dulce. Na conversa, Dulce teria tentado atribuir a responsabilidade pelo desaparecimento à funcionária de Helena, considerada "de absoluta confiança e comigo há mais de década". Até joias e um iPad haviam sumido. "Minha funcionária ficou angustiada, pensou em pedir demissão por achar que houve uma quebra de confiança. Meu desgaste emocional foi muito maior que o material", disse Helena, em entrevista ao FolhaPE.

Tempo depois, em outubro passado, Helena descobriu outro caso de furto envolvendo a Bye Bye Bagunça, ocorrido em abril deste ano. "Ela, felizmente com mais sorte do que eu, conseguiu reavê-los quase na totalidade, encontrados na casa da ajudante de Dulce, Nathaliê Maciel, que chegou a postar foto no Instagram usando um óculos de sol pertencente à filha dela, vítima", conta Helena.

Um inquérito foi instaurado na Delegacia de Boa Viagem para apurar este caso. Segundo o delegado Carlos Couto, a investigação foi concluída e Nathaliê foi indiciada por furto qualificado. O inquérito foi remetido ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que pode oferecer a denúncia contra a suspeita e torná-la acusada.

O caso de Helena foi registrado na Delegacia do Cordeiro. Foi expedido um mandado de busca e apreensão para a casa da ajudante Nathaliê Maciel, que já estava de mudança de endereço, com quase todos os seus pertences em uma nova moradia. Ainda assim, a polícia apreendeu dois vestidos de Helena na casa da funcionária da Bye Bye Bagunça. "Além dos meus, muitas e muitas roupas foram apreendidas pela polícia. Só blusas da marca Les Lis Blanc foram 37, além de bolsas de grife, vestidos e outros itens, que estão agora à disposição da Justiça para serem, eventualmente, reconhecidos por outras vítimas", acrescenta Helena.

Segundo ela, o inquérito policial referente a seu caso também foi remetido ao MPPE. Ainda de acordo com Helena, dessa vez, tanto Dulce quanto Nathaliê foram indicadas por furto qualificado. Nathaliê, em seu interrogatório, afirmou que Dulce tinha conhecimento de tudo, assim como também retirava itens dos guarda-roupas das clientes e lhe entregava como pagamento por seu trabalho. O FolhaPE não conseguiu contato com o delegado João Godoy, que responde pela Delegacia do Cordeiro.

"Estou sendo caluniada"

Em conversa com o portal FolhaPE, a empresária Dulce Lucena rebateu a antiga colaboradora e a cliente. "Eu não tenho que responder nada a Nathaliê, quem vai responder é a Justiça. A maior prejudicada nessa história sou eu, estou sendo caluniada", disse.

"Quem iniciou o processo contra Nathaliê fui eu. Fui à casa dela para pegar tudo de volta e devolvi à cliente. No dia seguinte, já estava processando ela", comenta. Segundo Dulce, a Bye Bye Bagunça colaborou desde o começo com as clientes. Agora, a empresa acionou advogados para acompanhar o caso. 

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