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Pesquisa traça impacto do derramamento de óleo no Nordeste

Liderado pela Fundaj, estudo avalia consequências sociais, econômicas e ambientais de desastre ambiental

PE será próximo estado a passar por processo georreferenciamento PE será próximo estado a passar por processo georreferenciamento  - Foto: Léo Malafaia

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) finalizou o processamento das imagens de georreferenciamento das praias afetadas pelo derramamento de óleo em Alagoas, onde 390 hectares de corais podem estar contaminados. Além disso, está em andamento uma pesquisa socioeconômica em 200 praias de 80 municípios do Nordeste atingidos pelo desastre ambiental. Serão avaliados impactos sociais, econômicos e ambientais. A empresa contratada para entrevistar as pessoas já está treinando seu pessoal e deve ir a campo nos próximos dias.

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Segundo informações divulgadas ontem pela Fundaj, em relação à pesquisa socioeconômica, já foi feita a elaboração de questionários e testada a metodologia por meio de entrevistas em quatro municípios atingidos. O levantamento foi iniciado tendo como base a publicação do Ibama do dia 28 de outubro deste ano, o qual indicou 201 praias nordestinas atingidas, distribuídas por 92 municípios, dentro de nove estados.

Esse é o recorte temporal das análises. Cada uma dessas praias está sendo monitorada por meio de imagens de radar do satélite francês Sentinel-2, em cooperação técnica com pesquisadores do Centre d’Etudes Spatiales de la Biosphère (Cesbio), da Universidade de Toulouse, França. O estado de Alagoas teve 30 praias atingidas, em dez municípios. Lá, o trabalho de sensoriamento remoto já foi concluído.

De acordo com um dos coordenadores da pesquisa, Neison Freire, fazendo a comparação entre as imagens de satélite e o estudo socioeconômico será possível correlacionar os perfis e entender todo o cenário. "As áreas atingidas geram sustento para muitas famílias e podem estar em processo de morte por conta do óleo. Isso resulta em consequências a curto e longo prazos”, afirmou Freire que é pesquisador do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg) da Fundaj. O próximo estado cujas imagens de satélite serão processadas será Pernambuco.

No processo, a equipe de pesquisadores da Fundaj calibra os sensores de satélites, que medem a frequência da luz refletida pela terra e pela água e, a partir daí, gera imagens. Uma faixa de 1km x 4km de cada localidade é expressada nesse material. Oceano, areia, vegetação nativa e área urbana são elementos quantificados. Além do trabalho de georreferenciamento, vários frequentadores das praias alagoanas de Japaratinga e Piaçabuçu foram entrevistados.

Isso foi feito para testar a metodologia dos questionários a serem aplicados pela pesquisa socioeconômica. Pescadores de praias pernambucanas também já receberam telefonemas com esse mesmo fim. A partir dos testes, os questionários estão sendo aprimorados. O objetivo é entrevistar cerca de 4.000 pessoas, entre pescadores, vendedores ambulantes, empresários, entre outros. De forma amostral, a pesquisa está sendo elaborada pelo grupo de trabalho da Fundaj responsável pela iniciativa.

Segundo o pesquisador do Cieg e um dos coordenadores da pesquisa, Luis Romani, um dos motivos para os trabalhos terem começado por Alagoas é pela presença da foz do Rio São Francisco, no qual a Fundaj possui atuação histórica na pesquisa. “Nossa hipótese é o fato de existir diferentes tipos de municípios, os quais sofrem de formas distintas. Grandes cidades tendem a sofrer menos porque possuem alternativas de turismo, como o de negócios. Já cidades menores, onde famílias inteiras vivem da pesca, são mais prejudicadas”, disse Romani.

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