Meio Ambiente

Pesquisador alemão defende desenvolvimento sustentável com olhar humano

Professor e doutor Christiano German, da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, visitou a Folha na terça-feira (8)

Em visita à Folha, professor Christiano German (centro) defendeu práticas sustentáveisEm visita à Folha, professor Christiano German (centro) defendeu práticas sustentáveis - Foto: Caio Danyalgil/Folha de Pernambuco

A preservação dos recursos naturais e a adoção de novas práticas de política ambiental são fundamentais para a manutenção da vida no planeta e o bem-estar das próximas gerações. Em visita à Folha de Pernambuco, na terça-feira (8), o professor e doutor Christiano German, da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, na Alemanha, ressaltou a importância de se aliar a sustentabilidade à busca pela igualdade social para garantir um desenvolvimento econômico com olhar humano. “O problema do Brasil não é a falta de riqueza. É a baixa distribuição de renda, que deixa 60% da população pobre e outros 15% riquíssimos”, afirmou.

Há 17 anos consultor em cooperação científica e institucional entre a América Latina e a Comunidade Europeia para a Fundação Konrad Adenauer, instituição sem fins lucrativos do Partido Democrata-Cristão alemão que atua na promoção da democracia e dos direitos humanos, Christiano German foi recebido pelo diretor Operacional da Folha, José Américo Lopes Góis. O encontro também contou com a presença do desembargador Alberto Nogueira Virgínio, co-autor de dois artigos escritos com o pesquisador alemão.

Leia também:
Papa Francisco presta homenagem às penas dos indígenas no sínodo da Amazônia
Incêndios na Amazônia afetam crianças e custam R$ 1,5 milhão ao SUS
Força Nacional vai combater incêndios e queimadas no Acre


Resultado de um congresso organizado por German com apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em Manaus, os textos “A União Europeia e o Brasil: recursos hídricos na política e legislação ambiental” e “O meio ambiente e seus reflexos no mundo” foram publicados, respectivamente, em 2016 e em 2018 na revista científica Olhares Amazônicos, da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Nas publicações, os autores refletem sobre a gestão dos recursos hídricos no País, a relação entre o meio ambiente e a economia e as soluções para os desafios que se colocam nessas duas frentes.

Este ano o assunto ganhou ampla repercussão em meio às discussões sobre as queimadas na Amazônia, que dominaram os debates durante a última Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. Para German, boa parte do problema está ligada a um modelo de desenvolvimento agrário que não prioriza a distribuição de renda. “Os fazendeiros que provocam danos ambientais são tão ricos que não precisam mais enriquecer. Esse dinheiro não é distribuído para o povo. Já há bastantes terras [na Amazônia], suficientes para a população pobre construir suas casas e fazer suas plantações”, argumenta o pesquisador alemão.

Indígenas e a natureza
Na visão de Christiano German, a sociedade brasileira deve aprender com os indígenas uma relação diferente e mais sustentável com o meio ambiente. “Não precisa tirar os índios de lá. Eles sobrevivem em total harmonia com a natureza. O índio nunca destrói. Ele faz parte da natureza, respeita a natureza. Nós podemos aprender com os índios, que têm o direito de viver lá [nas florestas]. O Brasil deveria apoiar os pobres”, opina o especialista. “Já nos anos 70, um estudo da FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, em inglês] dizia que o Brasil tem todos os recursos e possibilidades para que ninguém precise passar fome”.

Para reverter essa realidade, o professor destacou a necessidade de se investir em educação e em meios de transporte não poluentes, além da redução da desigualdade social. “É importante utilizar meios de transporte que não poluam o meio ambiente. Por exemplo, aqui no Brasil muita gente não tem ideia da destruição causada pelo diesel. Esse conhecimento sobre alguns problemas está faltando aqui”, considera o pesquisador, que percebe, ainda, um embate entre as gerações sobre o assunto. “Na minha cidade, na Alemanha, sempre há protestos porque os jovens estão vendo que os mais velhos estão destruindo nosso mundo. Eles ficam revoltados com toda a razão”, conclui.

Veja também

Prefeito de Florianópolis é acusado de estupro; candidato à reeleição diz que foi 'consensual'
Gean Loureiuro

Prefeito de Florianópolis é acusado de estupro; candidato à reeleição diz que foi 'consensual'

Merkel cria diálogo imaginário com coronavírus para defender novo bloqueio
Coronavírus

Merkel cria diálogo imaginário com coronavírus para defender novo bloqueio