Pessoas carentes recebem jantar de Natal no Recife

Cerca de 250 pessoas foram servidas na igreja de Santa Tereza D’Ávila, no bairro de Santo Antônio

Bandeira LGBTBandeira LGBT - Foto: Marcello Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Cerca de duzentos e cinquenta pessoas carentes tiveram uma experiência diferente na tarde da última sexta-feira (23). Em vez de servirem, foram servidos. Em vez de ouvirem “não”, receberam acolhimento. Em uma ação da Venerável Ordem Terceira do Carmo, sentaram à mesa para uma ceia natalina solidária.

O alimento foi servido em frente à Igreja de Santa Tereza D’Ávila, na avenida Dantas Barreto, bairro de Santo Antônio. Os presentes ouviram ainda por meia hora uma Cantata de Natal oferecida pelos meninos e meninas do coral do Movimento Pró-Criança.

Os moradores se empolgaram com o cardápio: strogonoff de frango com arroz, refrigerante e cachorro-quente. “No dia a dia, eu como tudo o que vem pela frente. Moro num quarto que alugo por R$ 200 na Favela do Papelão com duas crianças e ganho R$ 400. Não dá. Vivo com um pouco mais vendendo garrafas de água a R$ 1”, contou Maria Aparecida Cavalcanti, 59, mostrando os produtos comercializados. “Gostaria que a alimentação fosse assim todo dia.”

Alizete Gomes Barbosa, 64, também se alegrou com o banquete. Mora num quarto na rua da Guia, no Bairro do Recife, e caminhou até o local quando soube que seria servido o jantar. “Vivo com minha filha, que está desempregada, e a minha neta. Ela faz faxinas quando consegue alguma e, quando não, vem catar latinhas comigo. O dinheiro é pouco, mas comemos cuscuz de milho com feijão quase sempre. Quando tem carne damos graças a Deus e eu faço um molhinho com pimenta”, relatou. “Durante o mês de dezembro é mais fácil conseguir uma comida ou doações. As pessoas ficam mais caridosas.”

Para o irmão terceiro Aldir Maia Neto, um dos organizadores da ceia, a ação lembra que não se deve haver distinção entre ricos e pobres. “É uma ação concreta de misericórdia, algo que já foi pedido pelo santo padre. Fazemos nossa parte mas sempre se pode fazer mais. Temos uma creche com quase 80 crianças, mas decidimos também alimentar essas pessoas que não terão uma ceia de natal com alimentos suficientes”, detalhou. A partir da terceira semana de janeiro do ano que vem, um sopão semanal, por enquanto, marcado para as quartas-feiras.

Morador de uma feira no bairro de Santo Antônio, Cristiano Silva, 38, não almoçou ontem para economizar o pouco dinheiro. “Mesmo assim, tenho educação. Eu não vou ficar querendo me servir várias vezes ou pedindo quentinha para levar para casa, por exemplo. É preciso saber ser servido, também”, explicou. Ao longo da missa que precedeu a ceia, procurava incansável a pessoa que lhe tinha prometido um lençol durante a entrega das senhas, no dia anterior. “Faz muito frio à noite.”

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