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PF vai chamar manifestantes da UFPE para depor após vandalismo

CFCH teve paredes pichadas, salas arrombadas e móveis e equipamentos destruídos

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As pessoas que participaram da ocupação do Centro de Filosofia e Ciências e Humanas (CFCH) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) devem ser chamadas para depor pela Polícia Federal, disse, nesta terça-feira (27), o assessor de comunicação da PF, Giovani Santoro. Um inquérito está sendo instaurado e deve durar de 30 a 60 dias.

De acordo com a reitoria da universidade, após a desocupação, foram verificadas pichações, arrombamentos de diversas salas, com destruição de móveis e equipamentos e suspeita de furto. Nos demais prédios, as instalações foram entregues pelos alunos em perfeitas condições de funcionamento.

A PF já tem em mãos duas listas de nomes, RG e CPF: a de pessoas que participaram da ocupação e a das que estiveram na reunião do conselho. As listas foram fornecidas, segundo ele, pela Reitoria da UFPE e pela comissão responsável pela segurança do patrimônio segundo Santoro.

"São vários crimes que podem ser imputados a essas pessoas que estavam nessas ocupações e deixaram essa lástima, essa destruição terrível", afirma Santoro. Segundo ele, além do vandalismo que já ficou demonstrado, vão ser apurados crimes de dano ao patrimônio público, associação criminosa, roubo e agressão. Isso porque também houve relato de um professor ter recebido um golpe de luta conhecido como "mata leão", socos e pontapés ao sair de uma reunião. "É claro que as imagens vão ajudar, mas o testemunho das pessoas que presenciaram vai ser primordial", explica Santoro.

Os manifestantes desocuparam o prédio na última quinta-feira (22), dentro do prazo acordado - que era até a sexta (23). Três vistorias foram efetuadas desde então, por professores, vigilância e funcionários da UFPE junto com a Defensoria Pública e o grupo Juristas pela Democracia. A investigação pode durar até trinta dias e ser prorrogada por mais trinta.

A única câmera que havia no local ficava no elevador, mas foi coberta. A investigação da Polícia Federal começa pelos atos de vandalismo que aparecem nas fotos e vídeos enviados à PF pela administração da UFPE. "Aparecem portas quebradas. Vamos analisar também o furto dos notebooks que ocorreu durante a ocupação e, baseado em fatos, provas e perícias, a gente vai responsabilizar essas pessoas, como explicou Santoro.

"Ao longo da ocupação têm havido arrombamentos e incidentes, mas nesse momento final a gente constatou um número maior de arrombamentos com depredação. Até para preservar os alunos, a gente fez vistorias ao longo do processo", afirma. Medeiros conta que uma pichação enorme no oitavo andar foi encontrada após uma dessas vistorias ou ainda o que ele chama de arrombamento sem fuga - para pegar uma geladeira, por exemplo.

"Generalizar não é justo"
O vice-diretor do CFCH, Ricardo Medeiros, defende que haja punição para os responsáveis. Ele acredita que o movimento é dinâmico e "generalizar o que aconteceu aqui para todo o movimento não me parece justo. Houve outros momentos aqui de ocupação pacífica e pedagógica. Não tenho notícia desse grau de depredação em outros prédios", disse. O professor está acompanhando a vistoria da PF nesta manhã. Ele disse que o departamento não apoiava a ocupação e, provavelmente por isso, foi o mais depredado.

Algumas salas foram arrombadas e vandalizadas. "É uma agressão que não condiz com nossa busca de diálogo", diz ele, que participou desde o começo. Medeiros conta que a UFPE tentou evitar o tempo inteiro fazer o pedido de reintegração de posse. "A gente não acha que a Polícia deva ser responsável por estabelecer diálogo e consenso", analisa.

Ricardo Medeiros afirmou que encontrou portas quebradas e pichações "que não condizem com o que a gente acredita que é o movimento". Segundo ele, também há indícios de furto de equipamentos."Tudo isso é um custo muito alto para uma instituição que já está sofrendo o corte de recursos. É tão difícil manter a instituição funcionando com todas as dificuldades. A gente não consegue entender como um movimento estudantil consegue destruir a própria universidade, que é nossa, nosso patrimônio", questiona.

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