Plano de Mobilidade do Recife aposta na Faixa Azul

Estudos mostram que ganho médio de velocidade para os ônibus que circulam em faixa exclusiva é de 54%

As faixas exclusivas para ônibus são as que indicam melhores  perspectivas para  otimização do fluxo e agilidade no transporte de passageirosAs faixas exclusivas para ônibus são as que indicam melhores perspectivas para otimização do fluxo e agilidade no transporte de passageiros - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Na segunda audiência pública que discutiu o Plano de Mobilidade do Recife, as diretrizes do planejamento seguiram muitas das considerações trazidas pelos participantes na primeira: prioridade para pedestres e para o estímulo ao uso de bicicletas e do transporte público coletivo - sendo este o elemento estrutural. Contribuições para finalização do plano serão recebidas até 13 de abril, no site www.planodemobilidade.recife.pe.gov.br, e, depois, segue para a Câmara de Vereadores. A previsão é de que o planejamento seja totalmente concluído em maio com implantações gradativas das novas políticas que pensam o Recife para 2037, quando a capital pernambucana completa 500 anos.

Nesse sentido, as faixas exclusivas para ônibus (Faixa Azul) são as que, já hoje, indicam melhores perspectivas para otimização do fluxo e agilidade no transporte de passageiros e uma das apostas mais fortes desse planejamento. Todas as cidades que já implantaram o modelo - a exemplo do berço, Curitiba, na região Sul do País - têm bons resultados e os números das faixas já existentes do Recife seguem também nesse indicativo.

A primeira delas, a da avenida Caxangá, tem 36 anos e foi implantada em meio a polêmicas. “Hoje, que se tem mais consciência, ainda temos resistência, imagina naquele tempo, quando os ônibus eram chamados de ‘trambolhos’”, comentou o professor Maurício Pina, durante a audiência.

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Hoje o Recife tem pouco mais de 5% de suas vias exclusivas para o transporte coletivo; representa menos de 70 quilômetros que incluem, entre eles, a BR 101 Norte, a PE-15 e um trecho da avenida Sul. No entanto, os números indicam resultados relevantes: o ganho médio de velocidade para o ônibus que trafega em sua faixa exclusiva é de 53,4% e há ainda 35% de ganho médio de tempo na viagem. Na avenida Antônio de Góes, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, os 198 ônibus que circulam nas 26 linhas ocupam um terço do espaço dos cerca de 60 mil veículos que transitam na vida todos os dias.

Outro dado, este apresentado pelo professor Leonardo Meira, é outra boa exemplificação: na avenida vizinha, a Herculano Bandeira, a única faixa exclusiva para os ônibus é oito vezes mais eficiente no transporte de passageiros (chega a levar 104 mil, em média, por dia) do que as quatro disponíveis para os carros particulares (54 mil/dia) - afinal, citam os professores, estudos indicam que cada automóvel transita com 1,2 pessoa.

Incluíram-se, ainda no Plano de Mobilidade, a melhoria na iluminação, dos passeios públicos (com padronização das calçadas e regras para suas manutenções) e, entre outras mudanças, a redução dos limites de velocidade para as vias urbanas, com máximo de 60 quilômetros por hora (km/h) nas vias principais da Cidade - nestas, segundo o diretor executivo de Planejamento de Mobilidade do Instituto Pelópidas, Sidney Schreiner, o número de acidentes fatais chega a 72% dos casos. Paraciclos, bicicletários, ciclovias e ciclofaixas estão também no plano, sob a defesa de que a bicicleta, extrapola o âmbito da mobilidade urbana, “é saúde e inclusão social”. E o planejamento ainda ressuscita uma antiga ideia, a de usar, finalmente, os rios como vias fluviais de transporte de passageiros e ainda pretende regular o transporte de cargas nos trechos urbanos.

Estacionamentos

O Plano de Mobilidade quer mudar a forma de encarar os estacionamentos no Recife, passando a vê-los não mais como um meio de geração de receita, mas como uma forma de gestão do fluxo de veículos e do uso sustentável do espaço público. Segundo Schreiner, hoje, os espaços para estacionamento estão sendo explorados sem muito controle. As maiores mudanças, antecipa o diretor, deverão ser implantadas em novos projetos (como shoppings centers, por exemplo) e em novas regras para vagas em vias públicas.

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