Polícia apura se vídeo em redes sociais motivou onda de crimes em São José

Já foram dez vítimas em uma semana, causadas pelo registro do assassinato de um homem ligado ao tráfico de drogas em Barreiros

Manuel Martins, delegado da cidade de São José da Coroa GrandeManuel Martins, delegado da cidade de São José da Coroa Grande - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco

Um vídeo divulgado nas redes sociais em janeiro e que mostra o assassinato de um homem que seria ligado ao tráfico de drogas em Barreiros, na Mata Sul do Estado, teria deflagrado a onda de homicídios em São José da Coroa Grande, município vizinho. A hipótese é investigada pela Polícia Civil após a chacina do último sábado (17), que deixou cinco mortos. Outras duas pessoas haviam sido assassinadas no dia 10, durante o Carnaval, e mais três, na quinta-feira (15), totalizando dez vítimas em uma semana. Após o ocorrido, a cidade teve o policiamento reforçado.

Todas seriam integrantes de uma gangue rival à que atua em Barreiros, chefiada por um foragido da Penitenciária Professor Barreto Campelo, em Itamaracá, no Grande Recife. No vídeo, pessoas ligadas ao grupo de São José da Coroa Grande aparecem desafiando os rivais de Barreiros. As mortes recentes seriam um revide.

"Tudo dá conta, realmente, de que as mortes ocorridas são entre rivais para o comando do tráfico de drogas na cidade. Por determinação do governador do Estado, esforços estão sendo feitos tanto para elucidar os crimes, como para combater o tráfico de drogas na região e restabelecer a paz social", declarou o delegado de São José da Coroa Grande, Manuel Martins, que assumiu a delegacia na última quinta-feira e fará as investigações juntamente com equipes da delegacia seccional de Palmares e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa  (DHPP).

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No sábado, dois adolescentes, de 16 e 17 anos, chegaram a ser apreendidos e confessaram ter ligação com o tráfico de drogas na cidade. Eles foram autuados por ato infracional equivalente a associação para o tráfico. O delegado ainda pediu que o Ministério Público represente pela internação provisória deles por 45 dias. "Para preservar a vida, já que eles mesmos confessaram que estão com medo e que poderiam ser as próximas vítimas", disse Martins.

Neste domingo (18), outro jovem, que alega ter 15 anos, foi apreendido sem documentos e com uma pequena quantidade de maconha. Ele teria voltado à casa onde a chacina do sábado ocorreu, na comunidade do Muruim, para pegar pertences deixados na boca de fumo. Ainda não se sabe se ele tem relação com os acontecimentos. Até o momento, nenhum envolvido direto nas mortes foi capturado. Equipes do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi) e de outros setores da Polícia Militar seguem fazendo rondas na cidade.

Policiamento nas ruas de São José para investigar a chacina

Policiamento nas ruas de São José para investigar a chacina - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco


Entenda o caso
Três adolescentes foram mortos na manhã da quinta-feira (15), no bairro de Nova Jagatá, em São José da Coroa Grande, na Mata Sul de Pernambuco. O alvo seria um dos jovens, que teria envolvimento com tráfico de drogas. O trio estava conversando na calçada quando um carro preto chegou e disparou vários tiros de armas ponto 40 e calibre 380.

Os corpos foram encontrados na frente da casa de um deles, José Anderson da Silva, de 17 anos. A outra vítima, Éverton da Silva, 16, estava na companhia de José Anderson e também foi uma das vítimas. O nome da terceira vítima, um adolescente de 17 anos, não foi divulgado.

Dois dias depois, na manhã de sábado (17), outras cinco pessoas foram assassinadas no mesmo município, na Av. João Francisco de Melo, 45, na comunidade do Muruim. O crime teria sido uma represália ao triplo homicídio. As vítimas eram quatro homens e uma mulher.

Ainda no sábado, o governador de Pernambuco de Pernambuco, Paulo Câmara, determinou "empenho total das polícias na elucidação e prisão dos suspeitos". Também determinou a "garantia da tranquilidade e ordem para a população local".

 

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