Polícia especializada no Bairro do Recife

Ciatur, que já atua no Sítio Histórico de Olinda desde 2002, assumirá segurança no Recife Antigo no lugar do 16º BPM

Guilherme Uchôa, presidente da Assembleia Legislativa de PernambucoGuilherme Uchôa, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco - Foto: Folha de Pernambuco

 

O policiamento no Bairro do Recife, área Central da Cidade, passará a ser feito pela Companhia Independente de Apoio ao Turista (Ciatur), a mesma especializada que atua no Sítio Histórico de Olinda desde 2002. A medida foi anunciada por representantes da Polícia Militar (PM) e publicada no boletim geral da Secretaria de Defesa Social (SDS).

A mudança é mais uma tentativa do poder público de conter tumultos promovidos por grupos de frequentadores aos domingos e feriados, dias em que o local recebe atividades de lazer gratuitas. Com isso, o 16º Batalhão da PM deixa de ser o responsável pela segurança no Recife Antigo. A expectativa é de que, no próximo domingo, a transição entre os dois setores comece a acontecer.
Numericamente, não haverá alterações: o volume do efetivo, que mais que dobra em relação a dias comuns, permanecerá o mesmo. A ideia é também aproveitar as instalações que já eram usadas pelo 16º BPM. A principal diferença, porém, será na operação. Sai um batalhão com dez bairros para dar conta - inclusive pontos críticos, como o viaduto Capitão Temudo e as avenidas Conde da Boa Vista e Agamenon Magalhães (ver arte) - e chega uma companhia com expertise no trabalho em áreas com potencial turístico e que sediam eventos.

"Não há problemas com homicídios no Recife Antigo, por exemplo. Neste ano, houve um caso. Nem 5% das ocorrências da nossa área acontecem lá. O que tira a tranquilidade no Bairro do Recife são tumultos e boatos de brigas aos domingos, após as 18h", disse o comandante do 16º BPM, tenente-coronel Alexandre Cruz, em visita à Folha de Pernambuco.
Chefe da seção de planejamento da Ciatur, o tenente Davi Cunha explica que a companhia é ligada à mesma diretoria que abarca a Cavalaria e outros setores especializados da PM, o que facilitará a articulação de ações. "Vamos desafogar o batalhão e nos preocupar só com nossa área, de maneira especializada", diz, citando dados das ações da Ciatur em Olinda.

O número de Crimes Violentos contra o Patrimônio no Sítio Histórico, por exemplo, foi de 1.587 nos últimos dez anos. Em todo o Agreste, em apenas sete meses de 2015, houve três vezes mais registros. "Uma das principais vantagens é que se trata de uma polícia voltada exatamente à demanda do bairro. Em Olinda, isso facilita parcerias com comerciantes e moradores. Muitas informações que recebemos lá são fruto desse trabalho perto das pessoas", avalia o subcomandante da Ciatur, capitão Luiz Fernando Silva.
Antes da iniciativa de trocar o 16º BPM pela Ciatur, outras estratégias foram adotadas para conter a violência. Durante as prévias carnavalescas de janeiro de 2015, quando os tumultos começaram a ganhar repercussão, a PM anunciou o aumento do efetivo na área de 70 para cem policiais, além da divisão do espaço em quatro quadrantes de segurança (ver arte).

Em maio e novembro daquele ano, porém, confusões voltaram a ocorrer, assim como em vários domingos de 2016. No último mês de julho, um veículo da SDS, equipado com câmeras, foi deslocado para o Marco Zero para auxiliar no monitoramento. Embora menos violentas, correrias e brigas seguem deixando sensação de insegurança.
Grupo de trabalho
Em paralelo, um grupo de trabalho composto por Prefeitura do Recife, MPPE, PM, Polícia Civil e Conselho Tutelar discute ações preventivas para os dias de lazer no bairro, com foco, inclusive, em inibir a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, que é proibida. Atualmente, diz a PM, já se conseguiu a restrição do funcionamento de bares e restaurantes ao ar livre até as 22h. Além disso, o serviço de inteligência já mapeou, por câmeras, jovens envolvidos em confusões na área.

 

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