Polícia fará reconstituição da morte de menino de 14 anos em favela do Rio

A reconstituição ainda não tem data para acontecer. Fábio Cardoso afirmou que ela será feita após a análise dos depoimentos de testemunhas e policiais que participaram da ação e do resultado da perícia

Hospital Estadual Getúlio Vargas no Rio de JaneiroHospital Estadual Getúlio Vargas no Rio de Janeiro - Foto: Flickr

A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro afirmou que fará uma reconstituição da morte de Marcos Vinícius da Silva, 14. O estudante foi baleado na última quarta (20) durante operação policial no complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio. Familiares e uma testemunha, que prestaram depoimento nesta segunda (25), afirmam que o tiro que acertou o menino partiu de um blindado na esquina.

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Naquela manhã, a corporação fez uma operação na comunidade, com apoio do Exército, para cumprir 23 mandados de prisão. Ninguém foi preso e sete pessoas morreram, incluindo Marcos Vinícius."Vamos demonstrar se essa versão apresentada pelas testemunhas é possível ou não. Isso tudo o delegado já está planejando, inclusive para que se possa evidenciar de forma técnica", disse à imprensa Fábio Cardoso, chefe da divisão de homicídios, responsável pelas investigações.

A reconstituição ainda não tem data para acontecer. Cardoso afirmou que ela será feita após a análise dos depoimentos de testemunhas e policiais que participaram da ação e do resultado da perícia. Armas usadas pela polícia na ação também devem ser analisadas.

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) concluiu na sexta-feira (22) que o garoto foi atingido pelas costas, por alguém que estaria na mesma altura da vítima. O tiro entrou na região lombar do lado esquerdo e saiu pela região esquerda no abdômen.

Segundo familiares, Marcos Vinícius saiu atrasado para a escola naquela manhã e decidiu voltar para casa por causa dos tiroteios. Foi alvejado enquanto caminhava e levado ao pronto-socorro por um morador. A ambulância demorou uma hora para transferi-lo ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde ele passou por cirurgia, mas acabou morrendo.

Uma futura simulação do caso buscará ainda esclarecer como ocorreram as mortes de cinco suspeitos, disse Cardoso, segundo o portal G1. Eles tinham entre 20 e 30 anos e estavam todos em uma casa na Vila do Pinheiro, uma das favelas da Maré. "O local foi periciado e as investigações estão em andamento para apurar as circunstâncias dessas mortes. Munição de fuzil foi encontrada na casa onde essas pessoas morreram e as investigações vão prosseguir", afirmou o delegado.

A ONG Redes da Maré chegou a publicar em seu site, na quarta-feira, que moradores da região relataram a que os policiais limparam a cena das mortes, o que pode indicar crime premeditado e desmentir a hipótese de morte em confronto. "Segundo informações colhidas pela equipe da Redes da Maré, os policiais utilizavam luvas e teriam desfeito a cena do crime jogando os corpos dos jovens pelo segundo andar da casa onde ocorreu o crime", dizia a reportagem.

Reunião
As declarações foram dadas após uma reunião com o chefe da Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa, na sede da corporação, no centro da capital. Participaram do encontro entidades de direitos humanos, como a Anistia Internacional, Redes da Maré, Observatório de Favelas, Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa) -com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)- e Defensoria Pública do estado.

Os representantes cobraram um plano de redução de danos para operações em áreas populosas e criticaram rasantes e tiros dados por helicópteros em ações. O uso das aeronaves foi defendido pelo delegado Fábio Barucke, diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital.

"A utilização de helicópteros cessa e elimina, diminuindo o confronto entre os opositores de forma horizontal. Com a chegada do helicóptero, os marginais que se posicionam contra as ações policiais cessam os tiros e eliminam a resistência", disse Barucke, segundo o G1.

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