Polícia investiga divulgação de vídeo com notícia falsa de caixões vazios em MG

Em depoimento à Polícia Civil, na quarta-feira (6), ela disse ter visto imagens de caixões vazios nas redes sociais

A vendedora Valdete Zanco, de Campanha (MG), gravou e compartilhou fake newsA vendedora Valdete Zanco, de Campanha (MG), gravou e compartilhou fake news - Foto: Divulgação

A vendedora Valdete Zanco, de Campanha (MG), admitiu ter gravado e compartilhado, sem comprovação, um vídeo no qual diz que caixões estariam sendo enterrados em Belo Horizonte com pedras e madeira, numa suposta manobra para inflar os números de mortos por coronavírus.

Em depoimento à Polícia Civil, na quarta-feira (6), ela disse ter visto imagens de caixões vazios nas redes sociais -provavelmente relacionadas a uma notícia falsa similar no Amazonas. Uma amiga teria dito, então, que o mesmo estava ocorrendo em Belo Horizonte, e ela gravou o vídeo no celular, sem comprovação. Zanco teve o telefone apreendido para perícia.

No mesmo dia em que falou à polícia, ela gravou um novo vídeo pedindo desculpas ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), alvo de ofensas na filmagem, e a outras pessoas afetadas.

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"Quero pedir perdão, não era minha intenção, eu não propaguei. Mas eu quero agradecer e dizer que eu estou [com] arrependimento, muito triste, sofri bastante com tudo isso que aconteceu", diz Zanco, que trabalha em uma loja na cidade a 320 km da capital mineira.

"A partir do momento que a Polícia Civil, a máquina estatal, foi movimentada para apurar um fato onde a pessoa traz informações falsas, ela incorre no crime de denunciação caluniosa, que é crime grave, que tem pena de até oito anos", diz o delegado Wagner Sales, chefe do 1º Departamento de Polícia Civil de Belo Horizonte.

"Temos a Covid, temos mortos em Belo Horizonte, mas não temos caixões sem corpos, com pedras e madeira", diz o delegado Sales.

A mulher pode responder ainda por provocar alarme, anunciando desastre ou perigo inexistente ou ato capaz de gerar pânico, e por difamação contra Kalil (o que depende de denúncia do próprio prefeito para prosseguir).

A polícia busca ainda uma resposta oficial da Prefeitura de Belo Horizonte sobre o caso.

O celular da vendedora passará por perícia para identificar se o aparelho foi mesmo usado na gravação e se o vídeo foi feito na data indicada no depoimento. Como a filmagem cita o prefeito de Belo Horizonte, em ano de eleições municipais, a polícia também apurou e descartou que ela tivesse alguma intenção política. Zanco afirmou ter agido sozinha.

Para chegar à mulher, os investigadores identificaram elementos no vídeo que possibilitaram encontrá-la nas redes sociais. A Folha entrou em contato com o advogado de Zanco, Alexsander Pereira, nesta quinta-feira (7), mas não teve retorno.

Desde o início da pandemia, a polícia de Minas já investigou outros boatos. O suposto caso de uma funerária de Belo Horizonte que estaria escondendo corpos de vítimas da Covid-19 e o de um homem que afirmava que estaria ocorrendo desabastecimento no Ceasa-Minas -o vídeo foi divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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