Polícia investiga morte em parque aquático

Paulo Roberto, 6, morreu afogado no Coqueiral Park, em Olinda. Família alega que não havia equipamento de primeiros socorros

O Grinch (2018)O Grinch (2018) - Foto: Divulgação

A Polícia Civil instaura nesta segunda-feira (10) inquérito para investigar, por meio da Delegacia do Varadouro, em Olinda, as circunstâncias da morte de Paulo Roberto Lira e Silva, 6 anos. Ele morreu afogado em uma das cinco piscinas do Coqueiral Park, em Ouro Preto, Olinda. À Folha de Pernambuco, a família contestou a versão dos funcionários do parque aquático, de que o garoto teria se afastado das demais crianças para tomar banho de piscina enquanto um dos instrutores repassava as regras de funcionamento do lugar.

Os familiares também alegam que não havia equipamentos básicos de primeiros socorros, como o desfibrilador usado em casos de parada cardiorrespiratória. “Lá não há Desfibrilador Automático, nem ambu, que é usado para fazer ventilação artificial, nem oxímetro de pulso. O básico para primeiros socorros em casos de afogamento”, disse a tia do garoto, a técnica de enfermagem Viviane Lira, 25, que junto com a avó materna acompanhou a criança no passeio. Paulo participava de uma excursão junto com outros 200 alunos da escola onde estudava. Além da tia e avó, havia professores.

Segundo a tia, ele entrou na parte rasa da piscina, com aproximadamente 80cm de profundidade, e foram guardar os pertences em uma área ao lado. “Estava tirando a blusa para entrar na piscina quando minha mãe perguntou por ele. Saímos procurando com a ajuda do guarda-vidas. O encontramos boiando. Ainda não acredito”, descreveu Viviane, que tentou reanimar o sobrinho.

Os Bombeiros chegaram oito minutos após serem acionados e tentaram reanimar a criança. Inconsciente, ele foi levado à UPA de Olinda. De lá, seguiu para o Hospital da Res­tauração, onde teve parada car­diorrespiratória e foi a óbito.

Nesta segunda (10), o Corpo de Bombeiros deve voltar ao parque para averiguar se há alvará de funcionamento, salva-vidas suficiente e equipamentos de primeiros socorros. Segundo a assessoria dos Bombeiros, caso apresente risco para os frequentadores, o local pode ser interditado.

 No último domingo (9), o Coqueiral Park funcionou normalmente das 8h às 16h30. O local não passou por perícia, já que o menino veio a óbito no hospital - poderá ocorrer a pedido da investigação. A Folha esteve no local e ouviu os frequentadores. “Se o salva-vidas vê alguma irregularidade, já chama a atenção da pessoa com um apito. Sou sócio e sempre trago meus filhos”, disse Isaac Gomes, 63.

Em nota, a direção do Coqueiral Park disse que “lamenta a fatalidade ocorrida, fato inédito em 15 anos de atividade, e se coloca à disposição da família”. O corpo do garoto será liberado hoje pelo IML.

"Tentei. Mas não tive como salvá-lo"

Entrevista > Viviane Lira, tia da vítima 

Há algo a contestar na estrutura do parque?
Sim. Não tinha sequer o equipamento usado para ventilação artificial em caso de afogamento. Tentei, mas não tive como salvá-lo. O mais revoltante é saber que funcionou normalmente ontem, um dia após a morte do meu sobrinho. Faltou sensibilidade da administração do parque aquático com a morte. Uma vida foi embora. Como agir como se nada tivesse acontecido? O que mais me preocupa é nada mudar e o que aconteceu com meu sobrinho se repetir.

Como será daqui para frente?
Eu não sei. É muita dor. A família toda está desolada. Ele era o nosso xodó. Estamos tão desolados que nem pensamos em local de enterro, em nada. Ele era uma criança amável, muito doce. Gostava de estudar e era bastante obediente. 

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