Polícia prende suspeitos de organizar ataque contra integrantes de torcida organizada nos Aflitos
Episódio aconteceu após uma festa no Estádio dos Aflitos, em dezembro de 2024, e resultou na perda da visão de um policial militar, que foi espancado
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou nesta terça-feira (26) a Operação "Pista Zero", que teve como objetivo desarticular e responsabilizar integrantes de uma torcida organizada do Sport envolvidos em um ataque premeditado contra torcedores do Náutico. O crime ocorreu em 15 de dezembro de 2024 nas imediações dos Aflitos, após uma festa realizada nas dependências do estádio alvirrubro.
Os detalhes das investigações foram apresentados pela Polícia Civil em coletiva de imprensa realizada na sede da corporação, localizada na Boa Vista, no Centro do Recife.
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De acordo com os delegados Paulo Gondim, gestor da Diretoria Integrada Metropolitana (DIM), e Diego Acioli, titular da Delegacia do Espinheiro, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva contra integrantes da torcida organizada do Sport. Eles são suspeitos de envolvimento no ataque que deixou um policial militar cego de um dos olhos devido às agressões.
“No final de 2024, uma torcida organizada do Náutico estava realizando uma festa nas dependências do Estádio dos Aflitos quando outro grupo rival articulou esse ataque. Então, eles saíram de onde estavam, reuniram um grupo e foram até o bairro dos Aflitos no momento em que essa festa estava sendo finalizada", detalhou o delegado Diego Acioli.
"Enquanto alguns integrantes da torcida do Náutico saíam do estádio, os torcedores do Sport passaram a agredi-los. Na ocasião, vários foram lesionados, inclusive o mais grave chegou a perder a visão”, esclareceu.
Delegado Diego Acioli, titular da Delegacia do Espinheiro, bairro da Zona Norte do Recife, durante a coletiva de imprensa sobre a Operação Pista Zero. Foto: John Cartana / Folha de PernambucoAção premeditada
Segundo a polícia, a ação foi previamente planejada, com troca de informações e organização do grupo dias antes do confronto. Além das agressões, os suspeitos também costumavam subtrair objetos pertencentes aos integrantes da torcida rival, como camisas, carteiras e outros pertences pessoais.
A vítima foi agredida pelas costas enquanto caminhava com a namorada pela avenida Rosa e Silva, principal via do bairro onde ocorreu o caso.
“A vítima relatou que, quando levou a primeira pancada, já ficou um pouco tonto e acabou que outros indivíduos começaram a agredi-lo também. Ele caiu e passou a ser agredido enquanto estava caído", revelou Acioli.
"Essa versão dele é muito corroborada pelas imagens que nós possuímos, ele realmente foi agredido inicialmente pelas costas, de surpresa. Além disso, os laudos traumatológicos comprovam que foram várias lesões, várias agressões, inclusive, muitas na cabeça”, ressaltou.
Conforme o depoimento da vítima, o episódio aconteceu nas proximidades de uma unidade do Habib’s, na rua da Angustura, perto do estádio. O policial, que não estava em serviço no momento das agressões, foi espancado no chão e atingido por diversos golpes na cabeça.
Ação da polícia
A operação foi deflagrada após meses de investigação, que começou no início de 2025. Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva, dos quais 10 foram cumpridos, além de 13 mandados de busca e apreensão.
Os suspeitos foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML) para realização de exames traumatológicos e, em seguida, levados ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel).
De acordo com o delegado Paulo Gondim, a investigação identificou que alguns dos envolvidos já possuíam antecedentes criminais e faziam uso de tornozeleira eletrônica.
“Há relatos de que uma das pessoas que teria organizado não foi porque estava usando tornozeleira eletrônica. A investigação apontou que muitos deles que participaram já possuíam histórico criminal, inclusive, esse líder teria relatado para os outros que não poderia comparecer porque estava com o monitoramento eletrônico por conta da tornozeleira. Então, ele mesmo diz que, caso fosse, poderia facilmente ser identificado no local”, destacou o diretor do DIM.
Na execução da operação, foram mobilizados cerca de 120 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. As investigações contaram com o apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel), além do suporte operacional do Core/PCPE e da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE).
De acordo com a polícia, a operação também busca combater episódios de violência entre torcidas organizadas, aprofundar as investigações e cumprir mandados de prisão contra os suspeitos identificados durante a apuração.
A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento para aprofundar a participação de outros envolvidos no caso.

