Por BRT, Estado desapropria áreas

Decreto tornou de uso público quatro pontos em avenida comercial de Camaragibe, que passarão a abrigar estações de ônibus

Pontos de embarque e desembarque ficarão nas calçadas da via, e não no meio da pista, como é típico dos sistemas BRTPontos de embarque e desembarque ficarão nas calçadas da via, e não no meio da pista, como é típico dos sistemas BRT - Foto: Arthur de Souza

O governador Paulo Câmara assinou um decreto, publicado ontem no Diário Oficial, declarando quatro áreas situadas na avenida Belmínio Correia, em Camaragibe, no Grande Recife, como de utilidade pública e sujeitas à desapropriação. O objetivo é permitir a implantação de quatro estações de Bus Rapid Transit (BRT) na via, obra que deveria ter acabado em 2014, mas que sequer foi iniciada devido a impasses na retirada dos imóveis. A medida é parte dos esforços do Executivo para concluir equipamentos do Corredor Leste-Oeste. Dessa lista também fazem parte seis estações de BRT na avenida Conde da Boa Vista, na Capital, que, como a Folha de Pernambuco mostrou na semana passada, devem ser finalizadas até outubro por meio de uma cooperação técnica entre a Secretaria das Cidades (Secid), o Grande Recife Consórcio de Transporte e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE).

Assim como na Conde da Boa Vista, ônibus de duas linhas de BRT não param para embarque de passageiros em Camaragibe, mesmo trafegando por quase toda a avenida Belmínio Correia até o terminal integrado (TI) da cidade, no bairro do Timbi.

Essa limitação ocorre justamente porque as estações apropriadas para o modal nunca foram erguidas. O projeto mudou várias vezes. Inicialmente, previa cinco estações no centro da via, como as que funcionam na avenida Caxangá. Em 2013, a ideia já era outra: a de que três das cinco ficariam nas calçadas, e não mais no meio da pista.

Conforme representantes da Secid disseram na época, o temor era o de repetir os mesmos equívocos observados na avenida Presidente Kennedy, em Olinda, que teve paradas de ônibus transferidas para o centro da via e passou a ser alvo de críticas pelas dificuldades de circulação que foram geradas. Em Camaragibe, a necessidade inicial de desapropriar 86 imóveis, a maioria comerciais, também impediu que as obras fossem à frente.

Por fim, o projeto que será executado agora prevê que as quatro estações fiquem nas margens da avenida, duas em cada sentido. Considerando as áreas a serem desapropriadas, os equipamentos serão implantados entre os cruzamentos da Belmínio Correia com as ruas Marcelo Corrêa de Araújo e Teixeira Soares, na altura da prefeitura; e com as ruas João Alves de Barros e Bruno Coelho de Albuquerque, em frente à maternidade. Os pontos têm só 400 metros de distância entre si. Não atendem o trecho inicial da via, na intersecção com a Estrada de Aldeia. Caberá à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) promover as desapropriações “de forma amigável ou judicial”, diz o decreto. Não há prazo para a execução dos serviços.

A população local vê com desconfiança a novidade, sobretudo diante de desapropriações feitas em troca de nada perto dali, no chamado Ramal da Copa. Imóveis foram retirados para dar lugar a uma via entre o centro de Camaragibe e a Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata. O projeto também ficou incompleto.

“A esperança é que, agora, essas estações sejam realmente construídas. Sem elas, o BRT não para aqui. Tem gente que tem que caminhar muito para conseguir subir ou descer no transporte nesta avenida principal”, relatou o passageiro Kenedy Jonathan, 17.

Veja também

Doria cumprimenta Biden por posse na Presidência dos EUA
Boas vindas

Doria cumprimenta Biden por posse na Presidência dos EUA

Vulcão Etna entra em erupção
FENÔMENO

Vulcão Etna entra em erupção