Por mais respeito aos idosos nos ônibus

Campanha “E se fosse você” segue até o dia 17 com a meta de chamar atenção para as dificuldades trazidas pela idade

O motorista de TáxiO motorista de Táxi - Foto: Divulgação

José Wanderley Pessoa tem 84 anos, mora em Olinda e todas as segundas e quintas enfrenta várias horas em um ônibus para ir à igreja no Recife. Rotina que poderia ter mais conforto e comodidade. “Sou muito ativo, mas nem todo mundo é assim. Muitos andam de muletas, não têm mais segurança em caminhar. Ainda assim, alguns motoristas de ônibus não respeitam. Parecem que estão carregando boi”, lamenta.

A queixa dele não é isolada. Na RMR, muitos idosos se queixam das más condições do transporte público. São poucos assentos, degraus altos e ainda a falta de paciência dos mais jovens. Para tentar sensibilizar os funcionários e passageiros, o Grande Recife Consórcio segue até o dia 17 deste mês com uma ação de conscientização em seis Terminais Integrados. O “E se fosse você?” busca fazer com que usuários e funcionários do transporte público se aproximem das condições enfrentadas pelos idosos e tenham mais respeito, paciência e gentileza com este grupo de passageiros.

Nos terminais, agentes educadores convidam os voluntários a passar pela experiência de andar com muletas, caneleiras, óculos de grau e protetor auricular. “É uma ação para que usuários e rodoviários compreendam a importância de respeitar os idosos”, disse o gerente de relacionamento do Grande Recife, Petrônio Iglesias.

Motorista há cinco anos, César de Lima, 42, passou pela experiência e achou importante. “Sempre tive paciência pois tenho um em casa. Já parei o ônibus, desci e ajudei um idoso a atravessar a rua. Seria bom que todos os colegas fizessem o mesmo.” O estudante Matheus Souza, 16, também passou pelo teste e acha que as condições dos ônibus não são ideais. “Ando com minha avó de 68 anos e sempre percebi essas dificuldades. Agora, sempre fiz minha parte, sempre dei meu lugar aos idosos”, comentou.

Diretor de Mobilidade da Associação Nacional do Transportador e do Usuário de Estradas, Rodovias e Ferrovias de Pernambuco, Jaílson Silva, afirma que o dever do Grande Recife deveria ir além dessa ação. “Os degraus dos ônibus são muito elevados e até quem não é idoso tem dificuldade. O Grande Recife não autoriza ônibus com piso baixo, uma pena, pois em São Paulo tem e é muito bom.”

Questionado sobre os problemas, Petrônio Iglesias afirmou que “entre 94 e 95% dos ônibus têm plataforma elevatória e os idosos podem solicitar que os motoristas abram a porta do meio e utilizem a plataforma para ter acesso ao interior dos coletivos”.

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