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Povo Xukuru aposta na formação política para preservação dos direitos indígenas

“Precisamos estar conectados com o movimento indígena em nível de Brasil", afirma cacique Marcos, líder do povo Xukuru

Índio XukuruÍndio Xukuru - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Atento às novas necessidades do Brasil e do mundo no século 21, o cacique Marcos demonstra preocupação na perpetuação e fortalecimento indígena em consonância com as novas demandas da contemporaneidade. “Por isso, nossa assembleia foca cada vez mais na formação política da juventude para uma perspectiva de continuidade da luta do povo Xukuru e na preparação as lutas além da fronteira do território”, explica. Em uma batalha contínua de conquistas e preservação dos direitos, ele teme que o cenário atual de incertezas no Brasil manche de sangue e lágrimas novamente as aldeias.

“Precisamos estar conectados com o movimento indígena em nível de Brasil. Precisamos estar acompanhando a conjuntura atual das pautas legislativas que estão no Congresso Nacional e que vão de encontro aos direitos dos povos indígenas. Temos que estar conectados a esse momento crucial que o País passa para poder fazer a formação política dessa juventude na continuidade das gerações futuras”, reforça, exemplificando a PEC que tenta transferir para o Congresso a demarcação de terras que hoje é atribuição do Poder Executivo.

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Apesar dos desafios que se aventam no País, para tantas minorias sociais, como os indígenas, o legado de Xikão serve de cartilha. “Sua capacidade de organização fez nascer uma organização política de referência para outros povos, com diversas instâncias de diálogo dentro do povo. Podemos dizer que Xikão estabeleceu as bases de ordenamento da atual organização Xukuru, valorizando as tradições com propostas atuais de políticas públicas e sociais”, destacou a antropóloga Kelly Oliveira.

Para a atual presidente da Mirim Brasil, Sylvia Siqueira Campos, os legados do Mandaru são na ordem do simbólico, material e político. “Quiseram tirar Xikão, mas a ideia que ele carregava perdura até hoje”, afirmou. Dona Zenilda completa: “Temos um cântico que diz assim ‘nossos direitos vêm. Se não vir nossos direitos o Brasil perde também’. Muitos ainda consideram os indígenas fracos, mas somos fortes. Eles podem ter o poder, mas nós temos a força”, ressalta.

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