Praga ameaça flora de Noronha

Insetos sanguessugas de seivas já causaram a morte de 30 árvores nativas. Administração da ilha acionou a Adagro

Mulungus estão em risco em NoronhaMulungus estão em risco em Noronha - Foto: Reprodução

Dezenas de árvores do arquipélago de Fernando de Noronha, em especial os mulungus (árvore nativa conhecida por suas flores vermelhas), estão ameaçadas pela praga cochonilha-rosada (Maconellicoccus hirsutus). Também conhecida como cochonilha-rosada-do-hibisco, esses insetos são um pesadelo para as plantas por serem verdadeiros sanguessugas da seiva, um líquido que circula por todo vegetal para alimentar as suas células, equivalente ao sangue humano.

Como se não bastasse, as cochonilhas, de forma geral, ainda deixam para trás uma substância viscosa que atrai formigas e fungos. Sem vigor, o vegetal vai definhando até a morte. Só na ilha, cerca de 30 exemplares já morreram por conta desse inseto.
A praga, quase sempre, age em colônia e fica paralisada nos caules, bem próxima às folhas.

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Sua identificação é fácil porque ela se apresenta como um amontoadinho esbranquiçado parecendo bolinha de algodão. Mas, não há nada de fofo nisso, garante o professor do Departamento de Agronomia e especialista em pragas, Jorge Braz Torres. "E, na estiagem, a gravidade é ainda maior. Porque a planta já fica estressada com o solo seco, diminui-se a oferta d'água. Aliado a isso, a praga suga toda a seiva. Nos períodos secos, as condições climáticas são favoráveis a esses insetos", explica. Acredita-se que as cochonilhas-rosadas chegaram à ilha por meio de mudas, plantas ornamentais ou frutas.

E essa ameaça não tem preferência, atacando desde raízes e leguminosas a jardins (veja a arte). Encontrando um ambiente favorável para se instalar, ela domina a área. O professor de biologia da Universidade de Pernambuco (UPE), Clemente Coelho, alerta que metade da vegetação da ilha é exótica, ou seja, o que contribui para a perda de habitat de predadores naturais - um ótimo cenário para as cochonilhas e uma explicação plausível para o seu alastramento. "Espécies exóticas, em especial, gatos e garças, diminuem potencialmente a população de predadores naturais, a exemplo das mabuias (lagartos endêmicos de Noronha) e pássaros nativos", analisa Coelho.

Investigação
Procurada, a Administração de Noronha informou que, no primeiro momento, o combate vem sendo feito por meio de pulverização com óleo de neem e detergente neutro, mistura caseira que não agride o meio ambiente. Mas, que convidou uma equipe da Adagro para investigar os possíveis danos à flora. A gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) afirma que, por ora, não comenta o assunto por tomar conhecimento há pouco do problema ambiental, mas que também irá avaliar a gravidade da infestação.

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