Práticas criativas levam escola do Recife ao Rio de Janeiro

A criatividade tecnológica é uma plataforma criada por alunos de escola no Recife em formato de e-book que estará à disposição de qualquer educador e qualquer escola do país

Secretaria de Educação de Pernambuco tem parceria com a Oi Futuro desde 2006Secretaria de Educação de Pernambuco tem parceria com a Oi Futuro desde 2006 - Foto: Cristina Lacerda/Divulgação

Um guia de 40 práticas criativas na educação com base na valorização da criatividade e tendo o aluno como protagonista. Esse foi o resultado coletado nas escolas de Núcleo Avançado em Educação (Nave) - a Escola Técnica Estadual Cícero Dias, no Recife, e a Escola Estadual Leite, no Rio de Janeiro - apresentado, na noite desta segunda-feira (14), no Centro Cultural Oi Futuro, na capital carioca.

O E-Nave é uma plataforma em formato de e-book que estará  à disposição de qualquer educador e qualquer escola do país a partir da Plataforma Integrada de Recursos Digitais Educacionais do Ministério da Educação (MEC) - a pasta federal assinou um Acordo de Cooperação na ocasião. Entre as 19 práticas elaboradas na Cícero Dias (as 21 restantes foram desenvolvidas na Nave Rio) está o projeto "Lógica Desplugada". "Como trabalhar Programação de forma diferente? Começamos a aplicar várias atividades simultâneas através de dinâmicas e brincadeiras sem o uso do computador", explicou a professora Danielle Nathália.

Essa forma "manual" de apresentar o conteúdo fez com que os alunos perdessem o medo na hora de estudar o software nas aulas. "Esses alunos se sentiram pertencentes àquela disciplina e conteúdo. Outra missão foi envolver as meninas nessa área de programação e isso tem dado certo", comentou.

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Outro exemplo com resultados positivos vem de outro projeto pernambucano, o "Choque de Roteiro". "É difícil estimular os alunos a escrever e eles querem novidades nesse formato já tradicional. Então transformei esses meninos em escritores de roteiro. Eles se dividiram em três grupos para criar o universo e os personagens, desenvolver uma problemática e depois criarem a conclusão", afirmou o professor responsável, Marcel Calbusch. A interdisciplinaridade é outro ponto chave ao trabalhar com essas práticas de inovação.

Os próprios alunos relatam que começaram a ver as matérias regulares de outra forma. "Nós sabemos que somos capazes de mudar algo e para melhor. Estamos pensando no mercado de trabalho também, nos preparando para ter uma postura exemplar, sabendo trabalhar em equipe e amadurecer com nosso esforço", comentou o estudante Luiz Felipe Regis, de 16 anos e que está no 2º ano do Ensino Médio.

Para a gestora da Nave Recife, Aldineide de Queiroz, os resultados positivos começaram quando os alunos começaram a participar de todo o processo de construção coletiva. A escola técnica localizada no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, atende 500 alunos no turno integral das 7h30 às 17h. "Nós somos a escola pública com o melhor resultado no Enem no Estado", disse. A parceria com a Oi e Oi Futuro vem desde 2006.

O secretário estadual Fred Amancio afirmou que todas essas experiências praticadas na unidade escolar do modelo Nave serão repassadas à rede estadual de ensino também. "Tanto o trabalho na base comum quanto da base técnica são integrados. Os professores e alunos são estimulado a fazerem projetos científicos e isso é um diferencial no País inteiro e não queremos o Nave como algo isolado nessas boas práticas", disse o secretário.

Debate
A programação da noite também contou com um debate, com a participação da escritora e professora de Física Elika Takimoto e a diretora da Fundação SM Brasil Pillar Lacerda. "Falamos muito de protagonismo, até virou moda, mas o que vemos são todos sentados e calados. O que existe é um anacronismo na educação. O discurso sobre mudanças na educação, ele não é consenso. Você tem uma grade curricular antiga, do sexto ao nono ano, e compara com a grade em 2015, e a concepcção é a mesma, por isso eles não estão interessados", destacou Pillar.

Os projetos compilados no e-book também têm como objetivo fazer a transformação de conceito tradicional do que é aplicado em sala de aula, com criatividade e desafios a serem vencidos. "A escola ainda não conseguiu essa aproximação mais pessoal e individualizada, ainda é uma função de massa. Temos que olhar para os alunos, ver o que dói nesse modelo sofrido da aprendizagem tradicional", comentou Elika.

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