Sáb, 11 de Julho

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AMÉRICA LATINA

Presidente da Bolívia culpa 'narcoterroristas' por protestos e alerta que 'seus dias estão contados'

Rodrigo Paz afirmou que os grupos mais violentos são facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas.

Presidente da Bolívia, Rodrigo PazPresidente da Bolívia, Rodrigo Paz - Foto: Aizar Raldes/AFP

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, denunciou nesta segunda-feira (8) que os "narcoterroristas" estão por trás dos protestos que exigem sua renúncia e os advertiu de que "seus dias estão contados", após promulgar uma lei que lhe permitirá controlar as manifestações com o auxílio das Forças Armadas.

Operários da construção, agricultores, mineradores, transportadores e professores têm pressionado o governo com dezenas de bloqueios de estradas que paralisaram as principais cidades do país nas últimas cinco semanas. Em confrontos recentes para desobstruir as vias, o governo informou que quatro policiais foram baleados.

O presidente afirmou que os grupos mais violentos são facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas.

Com a promulgação da lei na terça-feira, Paz, que está no poder há sete meses, agora tem carta branca para declarar estado de exceção, o que também restringiria a liberdade de reunião e de movimento, elementos essenciais para os protestos.

"Aos violentos, aos narcoterroristas (...): seus dias estão contados. Vamos fazer cumprir o que manda a Constituição", disse o presidente durante um ato no palácio do governo, ao lado de seus ministros.

O governo boliviano, um novo aliado dos Estados Unidos, acusa o ex-presidente Evo Morales de estar por trás dos intensos protestos que, segundo uma denúncia apresentada à Organização dos Estados Americanos (OEA), buscam "desestabilizar a ordem democrática".

Morales, foragido e procurado por um caso de tráfico de criança, que ele nega, descreveu os distúrbios em uma recente entrevista à AFP como uma "rebelião" contra um governo "subjugado" pela administração de Donald Trump.

Os manifestantes rejeitam as propostas de reforma de Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), e denunciam a falta de avanços na superação da pior crise econômica do país em quatro décadas.

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