Prisão revela longa carreira de estuprador da UPA

Suspeito de abusar sexualmente de mulheres em Unidade de Pronto Atendimento do Recife tem histórico de comportamento criminoso há três anos

Médico Kid Nélio suspeito de estupro Médico Kid Nélio suspeito de estupro  - Foto: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

Estupros atribuídos ao médico traumatologista Kid Nélio Souza de Melo, 35 anos, vinham acontecendo dentro de unidades de saúde do Recife há pelo menos três anos, segundo a apuração da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). O histórico de violência sexual cometida por ele começou em 2016 com três vítimas abusadas dentro de um hospital particular em que trabalhava, seguiu em 2017 com dois crimes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira e entrou por 2018 quando, até fevereiro, violentou quatro mulheres na mesma UPA.

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Até agora essas são as nove vítimas já ouvidas formalmente, mas o número de agredidas deve crescer. Outras três já buscaram a delegacia e devem engrossar as denúncias contra o médico, que foi preso na última sexta-feira. Intimado a prestar esclarecimentos no Departamento de Polícia da Mulher (DPMul), o suspeito foi surpreendido com o mandado temporário de reclusão, tentou negar as acusações e alegou a prática de sexo consentido com duas das mulheres.


“O que era uma suspeita se tornou verdade com as investigações. De fato estávamos diante de um criminoso em série. Nove mulheres compareceram e relataram como foram abusadas. Pelo fato dele ser do Rio Grande do Norte acreditamos que lá também existam vítimas e que outras se encorajarão e procurarão a polícia”, destacou Joselito Kehrle do Amaral, chefe da PCPE.

Amaral afirmou ainda que há mais de uma semana - quando uma jovem de 18 anos molestada na UPA prestou a primeira queixa - Kid Nélio vinha sendo monitorado. O traumatologista, que foi desligado do serviço público após a denúncia da garota e sumiu do serviço particular em que atendia, manteve deslocamentos constantes entre Pernambuco e o Rio Grande do Norte. Naquele estado chegou a fazer um exame traumatológico para tentar se livrar das acusações e reforçar a tese de consentimento da adolescente.

“Quando a moça o denunciou ele correu num hospital para fazer um traumatológico e tentar comprovar que não tinha qualquer lesão. Até nisso ele pensou para se acobertar e alegar que não houve estupro, porque ela não gritou, arranhou ou bateu nele. Isso demonstra como o agressor sempre tenta colocar a palavra da vítima em dúvida”, contou a coordenadora da DPMul, Gleide Ângelo.

A presidente do inquérito, delegada Ana Elisa Sobreira, destacou que há provas contundentes de que o médico é responsável pela violência em série. “Temos as declarações das vítimas - que nos crimes de abuso são muito importantes; a materialidade através de exames sexológicos; e testemunhas no geral, que através do aplicativo WhatsApp mantiveram contato com as vítimas desabafando sobre o que passaram. Tudo isso vai servir de prova”, disse Ana Elisa.

Durante a investigação, descobriu-se ainda que um alerta sobre o comportamento do médico havia sido dado há cerca de um ano na UPA. Uma das pacientes atendidas se queixou ao serviço social sobre toques atípicos durante uma consulta, mas a conduta dele não foi apurada na época. A delegada comentou que foi unânime nas narrativas das mulheres o sentimento de “congelamento” diante da agressão, numa atitude de incredulidade à violência gratuita e fria numa consulta médica.

Outro agravante que pode ser considerado para pena é o fato de ele haver se aproveitado da profissão para molestar as vítimas.

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