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Tóquio

Privadas com até 8 botões confundem nas Olimpíadas do Japão, país que tem até 'museu do cocô'

O funcionamento do apetrecho é capaz de confundir qualquer estrangeiro

Privadas de Tóquio têm 8 botões Privadas de Tóquio têm 8 botões  - Foto: Alex Sabino/Folhapress

Quando Kimberley Woods, atleta da canoagem do Reino Unido, ouviu o pedido "me diga que você está no Japão sem me dizer que está no Japão", uma brincadeira comum em redes socais hoje em dia, não teve dúvidas.

Gravou um vídeo sentada na privada na Vila Olímpica dos Jogos de Tóquio, apertando os botões que fazem funcionar o vaso sanitário. Postou no Tik Tok.

"Estou tentando descobrir como o banheiro funciona", confessou a brasileira Ane Marcelle, que disputou a competição de tiro com arco nas Olimpíadas, após seu primeiro dia no país.

O funcionamento do apetrecho é capaz de confundir qualquer estrangeiro que deseja apenas dar a descarga após cumprir a função para qual a privada foi criada. Ela pode ter avisos com figuras incompreensíveis, mensagens apenas em japonês e principalmente, botões. Mais botões do que um controle de videogame.

"É complicado, né? Precisa de uma aula para entender como é", espantou-se Lucas Verthein, do remo.

As atletas de skate do Brasil fizeram uma live no Instagram brincando nos banheiros da Vila Olímpica e pressionando os botões para ver o que acontecia.

A modernidade não está apenas em quartos de hotéis luxuosos. São encontradas em estações de trens, metrôs, nas arenas olímpicas e nos quartos dos atletas. Em alguns lugares há também o aviso, com ilustrações: o usuário deve se sentar no vaso sanitário, sem subir nele e defecar de cócoras.

Um alerta válido no Japão, onde também são comuns as privadas no chão, a serem usadas agachado.

A ideia dos fabricantes de simplificar tudo com imagens, não apenas com a explicação em japonês, não funciona para todos os visitantes. Pesquisa realizada com turistas estrangeiros mostrou que 30% deles não conseguem manusear a privada nem mesmo com as figuras.

Para facilitar, alguns banheiros colocaram sensores. Quando o usuário se levanta, a descarga dispara. Outros possibilitam a regulagem da pressão da água.

As figuras apareceram após uma tentativa em 2019 de uniformização entre as empresas que fazem as privadas. Naquele ano, o Japão recebeu a Copa do Mundo de rúgbi.

Foram desenhados oito símbolos para facilitar a vida dos turistas. A ideia era mostrar como dar a descarga (forte e fraca), abrir e fechar a tampa, ativar jatos de água que limpem as partes íntimas traseira ou frontal de quem está sentado, secar e desligar os controles.

Não é raro, até mesmo em locais públicos, que o assento seja aquecido, um conforto considerável, principalmente no inverno.
Antes disso, cada fabricante tinha seus próprios símbolos ou palavras para descrever as funções de cada botão, herança de quando começaram a serem vendidas as máquinas de lavar e secar.

A privada pode ser uma peça cara da casa. A Toto, uma das principais fabricantes do país, vende a peça por até US$ 15 mil (cerca de R$ 80 mil).

Há também a função que serve especialmente para banheiros públicos, quando a pessoa não desejar que os vizinhos escutem sons desagradáveis do chamado da natureza. Um dos botões inicia um barulho contínuo de água a correr, como se fosse uma descarga, para abafar todo o resto.

A preocupação com o vaso sanitário desperta curiosidade nos estrangeiros, mas o japonês dá importância às visitas ao banheiro e as consequências delas.

Em Koto City, nos arredores de Tóquio, foi instalado em 2019 o Museu Unko. Um espaço dedicado ao cocô, palavra em português correspondente a unko. As fezes foram tema de diferentes artes, cores e formas. A exposição era temporária e deveria ter sido encerrada em junho, mas se tornou tão popular que foi estendida até setembro daquele ano. Quando enfim terminou, tornou-se online.

Em 2020, o ex-jogador de futebol Keita Suzuki, 39, foi atrás de investidores para abrir uma empresa para fazer pesquisa de bactérias intestinais usando fezes humanas. Em poucos dias, conseguiu o dinheiro que precisava.

Em entrevista ao jornal The Mainich, ele definiu o excremento como algo "mais valioso do que diamantes".

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