Projeto de baixo custo é novo foco no transporte

Sistema de faixas exclusivas de ônibus terá linha de financiamento do Governo Federal. Ideia é evitar BRT, VLT e outros projetos caros e complexos

No Recife, Faixas Azuis são exemplos de corredores de BRS e custam menos por km do que o BRTNo Recife, Faixas Azuis são exemplos de corredores de BRS e custam menos por km do que o BRT - Foto: Arthur Mota/Arquivo Folha

 

Os quatro anos que antecederam a Copa do Mundo de 2014 foram marcados pelo anúncio de projetos na área de mobilidade urbana no Brasil. Bus Rapid Transit (BRT), Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), novas linhas de metrô, projetos tão grandiosos quanto caros para os cofres públicos. A crise financeira chegou, os prazos expiraram e, no caso de algumas regiões, a exemplo do Grande Recife, as melhorias prometidas ainda nem foram entregues por completo, como os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. Agora, gestores públicos e empresários do setor parecem convencidos de que o foco precisa ser outro: investir em projetos de menor custo e que garantam, num curto prazo, um salto de qualidade no transporte coletivo.

Uma dessas iniciativas é o Bus Rapid Service (BRS), ou Serviço Rápido de Ônibus, que vem ganhando força no discurso do Ministério das Cidades como ação financiável pelo Avançar Cidades - Mobilidade Urba­­na. Esse tipo de projeto é previsto no grupo 2 do programa, com lança­­mento esperado para esta semana e voltado a municípios com mais de 250 mil habitantes. A expec­­tativa é de que sejam anunciadas linhas de financiamento de R$ 200 milhões. O BRS é atrativo por­­­que seu custo de implantação sai por até R$ 300 mil por quilôme­­tro num projeto sofisticado, que contemple não só a demarcação, mas outras melhorias no pavimento e nas paradas. Parece muito, mas um quilômetro de linha de me­­trô, por exemplo, sai por US$ 100 milhões. Um de corre­­dor de BRT, por R$ 20 milhões (ver arte).

O sistema de BRS não é outro senão as Faixas Azuis que vêm sendo implantadas pela Prefeitura do Recife (PCR) desde 2013. O custo delas, por quilômetro, é de R$ 40 mil se tiverem fiscalização eletrônica, ca­­so das instaladas nas avenidas Mascarenhas de Morais e Herculano Bandeira, na Zona Sul. São faixas demarcadas à direita da via e que po­­dem ser acessadas eventualmen­­te por outros veículos quando forem fazer conversões ou acessar estacionamentos. Por elas, circulam ônibus convencionais que já es­­­tão na frota das cidades. São di­­ferentes dos corredores de BRT, que exigem veículos articulados e estações apropriadas, todos mais caros.

“Queremos partir para projetos de custo menor, BRS, antes de pensar em BRT, metrô, VLT, a menos que haja capacidade para isso. Mas o foco tem que ser aumentar a velo­­cidade do ônibus”, afirmou o secre­­­tário nacional de Mobilidade Ur­­­bana do Ministério das Cidades, Jo­­­sé Roberto Generoso, durante o Se­­minário Nacional NTU, realizado na semana passada, em São Paulo. O gestor ainda cobrou projetos mais bem planejados. “Recursos exis­­­tem. Precisamos de bons projetos”, disse.
Presidente executivo da Associa­­­­ção Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha citou o exemplo de Fortaleza, onde o total de quilômetros de faixas exclusivas subiu de 15 para 99 nos últimos cinco anos. “Com isso, o transporte convencional de lá con­­segue cumprir, todo dia, 99,8% das viagens programadas. A popula­­ção passou a acreditar no serviço porque sabe que o ônibus vai passar no horário”, declarou. “Com a bai­­xa velocidade comercial, perde­­mos demanda, a produtividade caiu, a tarifa aumentou. Precisamos de políticas públicas que valorizem o transporte. Nossa pesquisa in­­­­dica que, se a tarifa fosse menor, 62% das pessoas que deixaram de usar ônibus voltariam”, avaliou.

No Grande Recife, o índice de cumprimento das 26 mil viagens diá­­rias é de 96%. Não é um dado ruim quando se considera que inclui dias com congestionamentos e que o sistema abrange 14 municípios. Mas, ainda assim, significa que mais de mil viagens por dia (4%) deixam de ocorrer.

Na Capital, há 32,7 quilômetros de Faixa Azul. O último trecho foi implantado há mais de um ano, na avenida Recife. O próximo deve sair até o fim de 2017, em local não re­­velado. Para pleitear recursos do Ministério das Cidades, é preciso que cada município conclua seus Planos de Mobilidade, o que, no caso do Recife, também está previsto para o fim do ano.

Em nota, a Secretaria Estadual das Cidades informou que “não descarta a possibilidade de futuramente executar, em parceria com as prefeituras dos municípios que serão atendidos, serviços ligados aos corredores metropolitanos de BRS mediante estudos e planejamento”, mas destacou que, no momento, concentra esforços para concluir o BRT, que teve os serviços retomados no início deste ano.

*O repórter viajou a convite da NTU/Urbana-PE

 

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