Casa Azul

Projeto para crianças com autismo desenvolvido em Macaparana pode ser expandido para todo o Estado

Pioneira em Pernambuco no tratamento e acolhimento de crianças e adolescentes com TEA, a instituição Casa Azul foi tema de uma audiência pública

A Casa Azul foi tema de uma audiência pública na última quinta-feira (19)A Casa Azul foi tema de uma audiência pública na última quinta-feira (19) - Foto: Giovanni Costa

Pioneira em Pernambuco no tratamento e acolhimento de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Casa Azul, instituição localizada no município de Macaparana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, foi tema de uma audiência pública na última quinta-feira (19). 

Na ocasião, foram discutidas ideias para expandir a casa em outros municípios pernambucanos, principalmente na Mata Norte. O objetivo é que os familiares e pacientes não precisem se deslocar até o Recife para um tratamento de qualidade

Sede da Casa Azul. Foto: Leoncio Francisco

A audiência foi promovida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e teve como autor o presidente da Comissão de Administração Pública da Alepe, o deputado Antônio Moraes (PP). 

“As audiências públicas servem para despertar nas autoridades, prefeitos, e secretários de saúde, a necessidade de fazer investimentos nesta área do autismo. Primeiro por conta da dificuldade natural que essas famílias têm quando tem uma criança autista, segundo porque qualquer tipo de atendimento que fosse necessário fazer, você tinha que ir para o Recife e lá o único local que atende é o Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros)”, destacou o deputado. 

Deputado Antônio Moraes (PP). Foto: Giovanni Costa

A instituição atende, atualmente, 92 crianças e adolescentes, e conta com uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicopedagogas

“A gente sabe que pessoas dentro do espectro precisam de terapias, desse acompanhamento e a gente levava os nossos filhos para Recife, para Carpina, para lugares distantes, e às vezes eles ficavam desregulados e quando chegavam lá a terapia não tinha aproveitamento. Talvez as pessoas que conheçam o espaço digam que é muito simples, mas é um simples concreto, que funciona, que faz toda diferença na vida dos nossos filhos”, pontuou a coordenadora da instituição, Tatiana Albuquerque, que também é mãe de uma criança com autismo. 


Mãe do pequeno Pedro de 9 anos, a professora Cintia Maria da Silva vê na Casa Azul um espaço de acolhimento para ela e seu filho

“A casa azul é uma benção de Deus porque a gente conta com uma equipe muito responsável, muito dedicada e muito humanizada. Eles têm um olhar humanizado para as crianças e para as mães também. Meu filho não falava uma frase e ele hoje fala frases completas. Meu filho hoje socializa bem com as pessoas, e o pessoal da escola também ajuda muito. É um trabalho de formiguinha, mas a gente vê os avanços”, disse.

Na foto, Tatiana Albuquerque e Cintia Maria da Silva. Foto: Giovanni Costa

Atenção à saúde mental 

A criação da instituição, inaugurada em março deste ano, foi o pontapé inicial no que se refere à atenção do município à saúde mental e uma alerta para o governo municipal reestruturar toda a rede. A criação de um Centro de Atenção Psicossocial na cidade é um dos projetos que a prefeitura pretende realizar.

“A ideia é que a gente abra o serviço porque é uma necessidade urgente do município e seja custeado por recursos próprios até que o sistema do Governo Federal seja aberto e a gente consiga fazer o credenciamento dessa unidade. A casa azul vem como uma proposta de um atendimento de crianças com autismo, mas temos outras demandas que ficam naquele vazio assistencial”, detalhou a secretária de Saúde da cidade, Aline Cabral.

Equoterapia como tratamento

Durante a reunião, o Major Arruda, da Cavalaria da Polícia Militar de Pernambuco, explicou sobre a equoterapia, método que utiliza o cavalo como auxílio no tratamento das crianças e adolescentes com autismo. 

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais. 

Na audiência pública, centenas de pessoas se reuniram, entre prefeitos, secretários de saúde, assistentes sociais, especialistas no assunto, familiares de pacientes e associações voltadas para o tema. Os presentes conheceram, também, a sede da Casa Azul. 

Veja também

Paciente de 60 anos testa positivo para Covid-19 há 471 dias; entenda
SAÚDE

Paciente de 60 anos testa positivo para Covid-19 há 471 dias; entenda

Mortes maternas no Brasil são 49,6% maiores que o número oficial, diz estudo
Brasil

Mortes maternas no Brasil são 49,6% maiores que o número oficial, diz estudo