Projeto prevê destino turístico para o Forte do Buraco, no Recife

Projeto orçado em R$ 234 mil prevê, além da revitalização do local, construção de píeres para embarcações e uma ciclotrilha ligando o Recife a Olinda

Promessa ao amanhecerPromessa ao amanhecer - Foto: Divulgação

 

Um dos primeiros passos para tirar do ostracismo um dos mais esquecidos monumentos históricos de Pernambuco foi dado nesta semana. Foi publicada no Diário Oficial do Estado a homologação do processo licitatório para contratação da empresa de consultoria especializada que realizará o projeto executivo de implantação de uma estação turística histórica no Forte do Buraco. A ideia prevê, além da revitalização do local, a construção de píeres para embarcações e de uma ciclotrilha entre a Ponte do Limoeiro, no Recife, e a Praia dos Milagres, em Olinda, parte integrante do Plano de Reconexão Turística entre os dois municípios. A licitação, orçada no valor de R$ 234 mil, foi vencida pelo consórcio formado pelas empresas Colmeia Arquitetura e Engenharia Ltda., JBR Engenharia Ltda. e Joy Street .

Para quem não conhece, o Forte do Buraco, que é tombado pelo Iphan, está localizado na Praia do Istmo, mais conhecida como Praia del Chifre, na região detrás da Vila Naval e da Escola de Aprendizes Marinheiros. Foi erguido originalmente pelos holandeses como Forte Madame Bruyne, de 1630 a 1962, visando defender a entrada da barra, por onde os navios adentravam o Porto do Recife. Tão antigo quanto o Forte do Brum, com o tempo acabou ficando isolado e caiu em desuso.

No passado, o istmo que ligava as duas cidades foi quebrado. Atualmente, para chegar no Forte do Buraco é melhor ir de barco. O acesso por terra, da Praia dos Milagres, está complicado. De longe, no mar, vê-se imediatamente como um lugar paradisíaco, oculto num cantinho de uma das maiores metrópoles do País. Mas logo que chega à orla, conhecida pelos pescadores como Prainha ou Eta, o visitante se depara com uma triste realidade: uma grande quantidade de lixo, a maioria resíduos plásticos e pneumáticos.

Durante a apuração desta reportagem encontramos até o restos de um freezer e de um sofá.
“O pessoal do Canal do Arruda joga lixo ali (no bairro do Arruda). Quando desce a maré é tanto saco de lixo...”, lamenta Toinho Pescador, 52 anos, morador do bairro de Santo Amaro e nosso barqueiro e guia no local. “Tem dali dos Coelhos também”, continua ele. “A gente vai pescar ali de noite e não tem sossego. É muito saco de lixo.”
Quando nossa reportagem passou pelo local havia tantos calçados no meio dos entulhos que dava a impressão de que, a qualquer momento, conseguíamos formar um par do mesmo modelo e número.
Mais do que um projeto turístico, a área do Forte do Buraco clama por uma revitalização ambiental. Além disso, há uma preocupação de seus frequentadores naturais, pescadores e suas famílias, de serem excluídos do local onde costumam passar seus dias de folga e lazer.
“Tem feriado que vem muita gente com seus barquinhos, família, se diverte, passa muito tempo aqui”, conta Toinho Pescador. “Se vier muita gente (turistas), a gente não vai poder vir mais”, teme. “Mas ia ficar muito bonito se eles (o governo) cuidasse mesmo, fizesse a pista de Olinda pra cá”, pondera.
O projeto
A proposta para a área do Forte do Buraco é uma ciclotrilha visando proporcionar um passeio para ciclistas e pedestres. O trecho quebrado do istmo será completado com uma balsa e dois píeres. No que diz respeito à própria fortificação, o projeto prevê conservação, paisagismo e sinalização. No caminho até a construção haverá iluminação e postos policiais.
“Tivemos hoje (ontem) a primeira reunião para iniciar o trabalho. É um projeto maior, de reconexão do Recife com Olinda”, explica a secretária executiva do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) nacional em Pernambuco, Manuela Marinho.
A secretária enfatiza ainda que, além da execução física, o projeto conta com uma gamificação (do inglês gamification, derivado de game, jogo) do monumento. Trata-se da aplicação de recursos tecnológicos que permitirão que os visitantes possam interagir com o espaço, uma forma de o público “tentar imaginar como ele (o forte) era antigamente”. Todo o projeto está previsto para ser concluído até o fim de 2017.

 

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