Projeto 'Transformando Vidas' promove adoção de idosos no Paulista

O apadrinhamento afetivo da iniciativa 'Transformando Vidas' tem levado conforto a idosos que perderam o amparo familiar

Os idosos são cadastrados e o padrinho se compromete em visitá-los  pelo menos uma  vez no mêsOs idosos são cadastrados e o padrinho se compromete em visitá-los pelo menos uma vez no mês - Foto: Brenda Alcântara

O artigo 229 da Constituição Federal determina que “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade”. No entanto, a realidade comum nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) é o abandono não só financeiro, mas também afetivo.

Para tentar suprir essa demanda, a 3º Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania, do município do Paulista, criou o projeto “Transformando Vidas” para que pessoas possam apadrinhar idosos que não têm esse amparo familiar previsto em lei. “Começamos a perceber que no Paulista existe um número grande de idosos abandonados nas ILPIs, que vão para lá de forma voluntária ou a pedido das próprias famílias, que não dão o suporte afetivo”, afirma a promotora Christiana Ramalho.

A partir desse cenário, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a assistência social da Prefeitura no Paulista começaram a cadastrar os idosos que não estão recebendo mais visitas. “No primeiro momento, acionamos os familiares para que eles tenham ciência de que o abandono do idoso é crime e que colocá-los em uma Instituição de Longa Permanência não os exime da responsabilidade. Então, o promotor criminal vai apurar o abandono e, após esse processo, eles são incluídos nessa lista”, explica.

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Entre outras informações, também consta nesse banco de dados o perfil da pessoa idosa. “Informamos se está acamado, se tem problema de visão, se o idoso é lúcido, tem as características deles e o futuro padrinho ou madrinha já é direcionado de acordo com esse perfil”, esclarece a promotora. Apesar de o projeto existir há um ano, e ter uma média de 30 pessoas idosos na lista de apadrinhamento, há apenas cinco padrinhos participando da iniciativa. Segundo Christiana, é necessário que os padrinhos cumpram com algumas determinações, como ir ao ILPI pelo menos uma vez por mês para prestar a assistência afetiva. Todo esse processo é acompanhado por uma equipe de psicólogos e assistentes sociais.

“Algumas pessoas acabam criando vínculos e tendo suas vidas transformadas. Os idosos têm muito amor para dar, mas muito estão em situação de abandono.” Para a coordenadora da Caravana da Pessoa Idosa, a promotora de Justiça Yélena Monteiro, o encaminhamento do idoso a um ILPI se tornou uma necessidade pelos formatos das famílias atuais. “Muitas são pequenas, não têm como contratar uma pessoa para cuidar. O ILPI é uma necessidade contemporânea, principalmente quando a pessoa idosa se torna dependente fisicamente”, ressalta.

Ela aponta que existe no Estado um déficit de centros que possam acolher a pessoa idosa durante o dia para a promoção de atividades lúdicas e sociais. “Não temos esse equipamento no Estado de Pernambuco e é uma lacuna que precisa ser preenchida. Fornecer um espaço com aulas de pintura, dança, e assistência médica, para que a pessoa idosa possa passar o dia e a noite regressar para suas casas, muitos são independentes”, explica.

Por conviver diariamente com a moeda do abandono e acolher inúmeras histórias de superação, o Abrigo Cristo Redentor, no município de Jaboatão dos Guararapes, está com um projeto no formato de um centro diário para receber idosos em período. “Nós estamos em busca de parcerias para que essa ação se torne realidade. Queremos promover diversas atividades, mas precisamos ter estrutura adequada para receber estas pessoas. Temos muitas dificuldades para manter o espaço e hoje precisamos, principalmente, de doações financeiras”, afirma Sibele Rosado, gestora de captação de recursos do abrigo. Quem quiser ajudar basta entrar em contato através do número (81) 99184-9555.

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