Promotor “pagou com a vida”

MPPE se posicionou contra a influência de Thiago Farias em disputa de terra

Eduardo CamposEduardo Campos - Foto: Divulgação/PSB

O Ministério Público de Pernambuco se pronunciou sobre declarações feitas em juízo, na última segunda-feira, por Mysheva Martins, noiva do promotor de Justiça Thiago Faria Soares em outubro de 2013, quando ele foi morto. O promotor André Rabelo, que assistiu ao segundo dia do júri popular de três dos cinco réus pelo crime, disse que o MPPE não concordou com o fato de Thiago usar sua influência para ajudar a futura esposa a obter a posse de 25 hectares da Fazenda Nova, em Águas Belas, no Agreste. Para a instituição, a vítima “pagou com a própria vida”.

A disputa pela terra com a família de José Maria Pedro Rosendo Barbosa, réu apontado como mandante, teria mo­­­tivado o homicídio. Em sua oitiva, Mysheva havia dito que, apesar de alertado sobre “a periculosidade daquele pessoal”, Thiago interveio, intercedendo, junto à Justiça, para a imissão de posse da área.

Segundo o processo, Rosendo não queria deixar o local. Trabalhadores ligados a ele teriam dito que o promotor merecia levar um tiro de espingarda 12 na cabeça por estar se intrometendo na intriga histórica.

Além de acompanhar a visita de um oficial de Justiça numa ação de despejo, o promotor teria se envolvido numa discussão verbal com a esposa de Rosendo. Para o MPPE, a intervenção dele no caso “acirrou os ânimos”.

“O MPPE não concordou com a atitude de Thiago e, na época, decidiu removê-lo compulsoriamente para o município de Jupi, no Agreste, mas ele foi morto um dia antes de se mudar”, declarou Rabelo.

Thiago era promotor em Itaíba, município vizinho a Águas Belas, havia nove meses. Conforme Rabelo, o MPPE sabia que a cidade tinha um histórico de violência e temia pela vida de seu servidor. “Decidimos realizar a transferência para tirá-lo do cerne da questão”, afirmou. “Não podemos negar o comportamento inadequado, mas também não vamos permitir que denigram a imagem dele. Thiago pagou com a própria vida”, complementou. O julgamento prosseguiu com a ouvida de seis testemunhas. Arrolada pela acusação, Cláudia Tenório Freire de Melo, tia de Mysheva, disse que ouviu de um parente que Rosendo teria prometido “estourar a cabeça” de Thiago Faria. Pela defesa, depuseram ainda o pai, um irmão e mais duas pessoas ligadas a Adeildo Ferreira dos Santos, que também está sendo julgado.

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