Promotoria exibe depoimentos de médicos sobre atitudes de Cláudio Amaro

Julgamento ocorre no Fórum de Jaboatão e deve acabar nesta quarta

Cláudio Amaro Gomes chega para julgamentoCláudio Amaro Gomes chega para julgamento - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A manhã do terceiro dia de julgamento de Cláudio Amaro Gomes e Jailson Duarte César foi dedicado à promotoria, nesta quarta-feira (12). Os réus são acusados do assassinato do médico Artur Eugênio, ocorrido em maio de 2014 na BR-101, em Jaboatão dos Guararapes, onde o corpo foi encontrado. Com depoimentos de médicos em vídeos, a promotoria apresentou a situação de relacionamento profissional entre o ex-médico Cláudio Amaro e a vítima.

Nos vídeos, foram mostrados depoimentos de médicos que que relataram suas desconfianças sobre o envolvimento de Cláudio Amaro no assassinato de Artur. Muitos médicos relataram que Artur Eugênio era um profissional acima da média e que isso incomodava Claudio Amaro.

A promotora do MPPE Dalva Cabral ainda apresentou depoimentos que afirmavam que Artur Eugênio tinha o desejo de sair da junta médica comandada por Cláudio Amaro. Ainda de acordo com as imagens, o réu Cláudio Amaro ficava com o crédito de cirurgias que não tinha realizado, mas, sim, outros médicos, a exemplo de Artur Eugênio.

O ex-médico Cláudio Amaro, 60 anos, é acusado de ser o mandante do crime, e Jailson Duarte César, acusado de intermediar a contratação dos matadores, estão sendo julgados desde o começo da semana. A expectativa é de que o resultado do júri popular seja proferido nesta quarta.  O julgamento, presidido pela juíza Inês Maria de Albuquerque Alves, deve ter ainda hoje a fala do assistente de acusação e dos advogados de defesa. O júri, que ocorre no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, é composto por seis homens e uma mulher.

Depoimentos dos réus
A sessão dessa terça terminou por volta das 22h30 e foi marcada pelo depoimento do réu Cláudio Amaro, que durou quase quatro horas. Em sua fala, muitas vezes evasivas, o ex-médico alegou inocência e contou que soube, somente quando estava detido no Cotel, do envolvimento do filho Cláudio Amaro Júnior no assassinato. "Ele disse que não matou, mas que tinha envolvimento. Um filho destruir uma história de vida que eu lutei para construir, eu não considero uma pessoa sadia. São quatro anos e meio no Cotel. Perdi 23 quilos, por uma coisa que não fiz", afirmou. "Eu fui doutrinado para salvar vidas, não para tirá-las."

O acusado alegou, durante seus posicionamentos, que Cláudio Amaro Júnior, filho dele e já condenado, ouviu Artur Eugênio xingá-lo de "mau-caráter" em duas situações. A primeira, por causa de uma ata do Hospital das Clínicas, e a segunda, por causa de uma avaliação na qual Cláudio reprovou Artur Eugênio. Nessa última ocasião, ele teria sido chamado também de "crápula" e acusado de prejudicar Artur por perseguição. "Houve um afastamento, não um estranhamento. Nada que gerasse inimizade." Ele contou ainda que, em um almoço em família, comentou com o filho Daniel que ele considera como único "filho-amigo", que, de novo, Artur Eugênio estaria agindo contra ele. Durante a conversa, enquanto Daniel sugeria uma ação política contra Artur por meio do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Cláudio Amaro Jr. teria ouvido a conversa e se irritado.

Pagamento de honorários com percentuais menores para Artur e o julgamento ético pelo qual passou no Cremepe em abril, quando teve o diploma de médico cassado, também foram debatidos entre promotoria e réu. As divergências entre os dois foram o principal mote da sessão. "Durante a parceria que nós mantivemos, não houve qualquer atrito nos casos cirúrgicos. O que ele falava de mim não me incomodava, porque isso é normal."

O outro réu, Jailson Duarte César, optou por não responder às perguntas feias no fim da noite dessa terça, citando apenas "Nada a declarar".

Entenda o caso
O julgamento desta semana é o segundo do caso, no qual cinco pessoas foram acusadas pelo assassinato de Artur Eugênio, de 35 anos. Em setembro do ano passado, foram condenados o filho do médico Cláudio Amaro, Cláudio Amaro Jr., e Lyferson Barbosa da Silva.

Cláudio Jr., então com 33 anos, foi condenado a 34 anos e quatro meses de reclusão, sendo 26 anos por homicídio qualificado, 6 anos por furto, 4 meses por comunicação falsa e 2 anos por dano material. Já Lyferson, que tinha 27 anos, foi condenado a 26 anos e quatro meses de reclusão, sendo 24 anos por homicídio qualificado e 2 anos e 4 meses por dano qualificado. Também foi acusado Flávio Braz, que morreu numa troca de tiros com policiais militares em 2015, pouco menos de um ano após o assassinato de Artur Eugênio.

O cirurgião Artur Eugênio foi sequestrado na porta de casa e assassinado com quatro tiros no dia 12 de maio de 2014. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR). Segundo a denúncia do MPPE, o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre o então médio Cláudio Amaro e a vítima.

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