Protesto marca segunda audiência do caso Gisely Kelly

Ela foi morta em julho do ano passado pelo empresário Wilson Campos de Almeida Neto

Protesto pelo assassinato de Gisely KellyProtesto pelo assassinato de Gisely Kelly - Foto: Diogo Cavalcanti/Da editoria de Cotidiano

Um ato simbólico marcou a segunda audiência de instrução e julgamento do assassinato de Gisely Kelly Tavares, de 37 anos, na tarde desta quarta-feira (31), no Fórum Rodolfo Aureliano, na Joana Bezerra, na área Central do Recife. O empresário Wilson Campos de Almeida Neto, com quem a vítima mantinha um relacionamento, é o acusado do crime, que ocorreu no dia 19 de julho de 2017, em um apartamento localizado no bairro do Rosarinho, na Zona Norte do Recife.

"Viemos aqui dar uma força a eles (da família de Gisely), que estão passando pela mesma situação que eu. Quando todos nos unimos, ficamos mais fortes contra o feminicídio", disse Suely Araújo, mãe da fisioterapeuta Tássia Mirella Sena de Araújo, assassinada em abril de 2017. Representando outro crime contra mulher, o primo da menina Maria Alice de Arruda Seabra Amorim, Enedino Gomes, também foi ao fórum. "Não é a primeira vez que nós (da família de Alice) viemos dar apoio a outra família. É muito importante vir, porque traz uma corrente forte para que a justiça seja feita, dar um fim nesse tipo de crime, para que os homens parem de ver as mulheres como propriedades", disse Enedino. Maria Alice foi assassinada em 2015, e o julgamento final do suspeito de matar a menina de 19 anos ainda não foi realizado.

A expectativa é que sejam ouvidas duas testemunhas de acusação, que não depuseram na última audiência, ocorrida em dezembro de 2017, e oito testemunhas de defesa. O advogado Célio Avelino, representante do réu Wilson, afirma que seu cliente colaborou, desde o primeiro momento, com as investigações. "A versão apresentada por ele (morte acidental) me parece estar sendo confirmada (nessas audiências). Agride a lógica você pensar que alguém planeja um crime e no momento seguinte busca a autoridade policial; incompatível com quem cometeria um homicídio", disse. 

Já o representante da acusação, o advogado José Alves, rechaça completamente a tese. "Ele (Wilson) matou de forma fria e covarde. Já entrou com seis habeas corpus e não conseguiu nenhum. A perícia comprova que ele atirou de propósito", comentou. Segundo José, Wilson teria mexido no celular dela antes de cometer o crime. "Ela foi ao vaso sanitário, viu uma conversa dela com o ex-marido, e com raiva pegou a arma. Estava bêbado, mas lembrou muito bem da senha do cofre onde estava a arma. Morte intencional", finalizou.

Wilson está preso no Centro de Observação e Triagem Everardo Luna(Cotel), em Abreu e Lima, acusado por homicídio triplamente qualificado: feminicídio, motivo fútil e sem chance de defesa para a vítima. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), as testemunhas convocadas não poderão ser identificadas, por determinação do juiz Jorge Luiz dos Santos Henriques. Logo após os depoimentos, o acusado poderá ser ouvido no mesmo dia.

Pais de Mirella Sena. Respectivamente, Wilson Pacheco e Suely Araújo

Pais de Mirella Sena. Respectivamente, Wilson Pacheco e Suely Araújo - Foto: Diogo Cavalcante/Da editoria de Cotidiano

 

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