Caso João Alberto

Manifestantes protestam contra morte de João Alberto, no Recife; e ato termina em confronto com a PM

Protesto reuniu manifestantes em frente ao Carrefour de Boa ViagemProtesto reuniu manifestantes em frente ao Carrefour de Boa Viagem - Foto: Emília Lucena/Rádio Folha

A morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, na noite da última quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, desencadeou um movimento de indignação por todo o País. 

Em consonância com essa tendência nacional, a Articulação Negra de Pernambuco (Anepe), órgão que reúne diversas organizações, aglutinou outros movimentos sociais e organizou um ato em frente à loja Carrefour do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, na manhã deste sábado (21). 

Cerca de 300 pessoas participaram do protesto. Os manifestantes proferiram palavras de ordem em frente ao supermercado, que permaneceu fechada durante a ação. Bandeiras com dizeres como "Vidas Negras Importam" e "Basta de Racismo" foram usadas. 

“É, sobretudo, um ato para denunciar e escancarar que foi racismo o assassinato de João Alberto, no Carrefour, e para dizer que vidas negras importam. Não poderíamos deixar de denunciar a rede de supermercados, então estamos fazendo isso por todo o Brasil”, disse Rosa Amorim, do Levante Popular da Juventude.

Ainda no início do protesto, uma equipe do 18º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco negociou com advogados do movimento o desbloqueio da via pública, no caso a Avenida Domingos Ferreira. Segundo a PMPE informou, em nota, o diálogo e a dispersão ocorreram de forma pacífica. 

“No entanto, por volta das 12h20, uma das organizadoras do movimento teria instigado, com uso de microfone e caixa de som, os manifestantes a entrarem no estacionamento do supermercado. Pessoas que participavam  da manifestação chegaram a danificar portões, cancelas, câmeras, monitores e picharam as paredes do estabelecimento, só pararam com a atuação da PMPE”, completa o pronunciamento. 

A nota informa ainda que "a organizadora foi conduzida à Delegacia de Boa Viagem, onde foi ouvida, juntamente com o gerente do supermercado, que prestou depoimento sobre os acontecimentos”. 

A organizadora citada no documento é a ativista Lu Matos, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, que foi encaminhada à 2ª Delegacia de Polícia de Boa Viagem. Segundo participantes do protesto, contudo, ela teria ido ao microfone pedir que os manifestantes deixassem o estacionamento da loja e acabou sendo confundida como a responsável pelo ato. 

O momento em que ela foi abordada pela PMPE gerou uma confusão generalizada no local, com a força policial chegando a usar spray de pimenta para dispersar o tumulto. Após ser ouvida na DP, Lu Matos foi liberada sem qualquer acusação. A Polícia Civil instaurou inquérito e iniciou as investigações, com a coleta de depoimentos, informações e imagens de circuitos internos de videomonitoramento.

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