PSB voltou a ser apêndice do PT na eleição de Haddad

Oposições devem deixar a demagogia de lado e ajudar a aprovar a reforma previdenciária

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Arthur Mota

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) vai reunir nesta segunda-feira (5), em Brasília, a sua direção nacional para avaliar o resultado do pleito e traçar o jeito de fazer oposição ao governo de Jair Bolsonaro. O PSB teve um desempenho razoável no primeiro turno para um partido de tamanho médio e que voltou a ser apêndice do PT, tal qual o PCdoB. Elegeu os governadores Paulo Câmara (Pernambuco), João Azevedo (Paraíba) e Renato Casagrande, além de quatro senadores e 32 deputados federais.

No segundo turno é que foi um fiasco. Perdeu os governos de São Paulo (Márcio França) e de Brasília (Rodrigo Rollemberg) e foi derrotado no Amapá (senador João Capiberibe) e em Sergipe (deputado Valadares Filho). Poderia ter ganhado o governo de Minas com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, mas num acordo nacional com o PT foram rifadas a candidatura dele e a de Marília Arraes em Pernambuco. Não há muito o que discutir nesta região de hoje em relação ao governo Bolsonaro. O PSB estará unido na oposição juntamente com o PT, o PCdoB, o PSOL, o PDT e a Rede. Haverá uma oposição nítida, clara, ideológica, assim como uma bancada governista com essas mesmas características. Espera-se, contudo, que essa bancada centro-esquerdista não faça oposição ao Brasil. Deixe o discurso fácil e a demagogia de lado e ajude a aprovar a reforma previdência, algo que tem que ser feito logo no primeiro ano de mandato do presidente eleito.

Família vai bem, obrigado!
As urnas de 2018 foram generosas com a família Calheiros, do interior de Alagoas. Renan, pai, renovou o mandato de senador por mais 8 anos e Renan, filho, permanecerá por mais quatro à frente do Governo do Estado. Renildo, eleito pelo PCdoB de Pernambuco, vai para a Câmara Federal e Olavo, o caçula dos irmãos, para a Assembleia Legislativa. Todos são do MDB.

A válvula > A exemplo de Aécio Neves (PSDB-MG) e Gleisi Hoffmann (PT-AL), a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) não disputou a reeleição. Optou por uma vaga na Câmara Federal.

A religião > A bancada federal do PT paraibano perdeu um padre (Luiz Couto) e ganhou um Frade (Frei Anastácio). Couto disputou o Senado em aliança com o PSB, mas perdeu a eleição.

O começo > Jair Bolsonaro, após consulta ao seu guru econômico Paulo Guedes, promete privatizar 138 empresas estatais e abolir 1.190 vagas nos conselhos de administração dessas empresas. Resta ver se as Forças Armadas apóiam a privatização de Petrobrás, do BB e da CEF.

Dias sombrios > Romeu Zema, governador eleito de MG, venceu em mais de 90% dos municípios mineiros. Quem pensa que isso é um presente está enganado. Minas tem 853 municípios e o Governo Estado não paga sequer a folha em dia. O povo quer serviços que Zema talvez não tenha condições de oferecer-lhe.

O boicote > Haddad (PT) ainda está com suas relações abaladas com o PCdoB por causa de sua mulher, Ana Amélia. Só desfilou com ela durante a campanha, por isso o PCdoB o acusa de “boicote” à candidatura dela.

Agenda >
Petistas menos radicais já estão convencidos de que a agenda do partido para 2019 não pode ser apenas “Lula livre” e “Fora Bolsonaro”. Há que se ter uma agenda na área econômica que não seja fofa e irreal quanto a de Haddad foi.

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