Guerra na Ucrânia

Putin garante que a Rússia está fazendo 'tudo certo' na Ucrânia

Presidente russo anunciou expansão da mobilização das tropas há três semanas

Vladimir PutinVladimir Putin - Foto: Mikhail Klimentyev / SPUTNIK / AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, descartou nesta sexta-feira (14) o lançamento "imediato" de novos bombardeios "em massa" na Ucrânia e a expansão da mobilização de tropas anunciada há três semanas após os reveses de suas forças.

"Não é agradável o que está acontecendo agora", admitiu Putin em coletiva de imprensa no Cazaquistão. Mas se a Rússia não tivesse invadido a Ucrânia, "estaríamos na mesma situação um pouco mais tarde, só que em condições piores para nós", acrescentou.

"Então, estamos fazendo tudo certo", concluiu.

As tropas russas falharam em sua tentativa de tomar Kiev, a capital ucraniana, após o início da invasão em 24 de fevereiro, e nas últimas semanas foram forçadas a se retirar de várias posições no leste e no sul, diante de uma surpreendente contraofensiva ucraniana.

O avanço das forças ucranianas obrigou as autoridades estabelecidas pelo Kremlin na região de Kherson (sul), anexada por Moscou, a solicitarem a retirada de civis.

A Rússia denuncia também um "aumento considerável" dos bombardeios ucranianos em várias de suas regiões de fronteira.

Nesta sexta, um bombardeio ucraniano provocou um incêndio em uma subestação elétrica da cidade russa de Belgorod, próxima à fronteira, segundo o governador regional Vyacheslav Gladkov.

Putin descarta novos bombardeios "maciços" 
No início da semana, a Rússia lançou uma campanha maciça de bombardeios contra várias cidades ucranianas, incluindo Kiev, em retaliação por uma explosão que danificou a ponte de Kerch, na Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014.

Classificando o ataque como uma "ação terrorista" realizada pelos serviços ucranianos, o governo russo anunciou nesta sexta-feira que pretende restaurar a ponte em menos de nove meses, antes de 1º de julho de 2023.

Construída sob as ordens do presidente russo, esta infraestrutura é fundamental para abastecer as tropas russas na Ucrânia.

O presidente russo também indicou que não prevê uma nova mobilização de reservistas, após a anunciada há três semanas. Segundo ele, 222 mil soldados, dos 300 mil esperados, foram recrutados até agora, e 16 mil já estão em "unidades envolvidas nos combates".

"Juntos rumo à vitória" 
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, prometeu a vitória a seus cidadãos, em um ato de comemoração ao Dia do Defensor.

"Em 14 de outubro, agradecemos a todos aqueles que lutaram pela Ucrânia no passado e a todos aqueles que lutam por ela agora, aqueles que venceram no passado e aqueles que certamente vencerão agora", disse Zelensky em um vídeo.

"Juntos rumo à vitória!", lançou o chefe do Exército ucraniano, Valery Zalujny.

Por ocasião deste feriado, retratos de cerca de 180 soldados que morreram em Mariupol, uma cidade portuária sitiada durante meses pelo Exército russo antes de cair em maio, foram erguidos em frente à Catedral de Santa Sofia, em Kiev.

Galyna Golitsyna perdeu os dois filhos na guerra - o mais velho, em 2014, e Denys, em 23 de março. A mulher de 61 anos coloca a mão, depois a testa, no retrato de seu filho mais novo, morto aos 32 anos.

"Perder um filho é a coisa mais terrível que pode acontecer com você. E perdi meus dois filhos nesta mesma guerra", contou à AFP, enxugando as lágrimas.

Oportunidade de ir embora 
Apesar da contraofensiva ucraniana, forças russas e separatistas realizam movimentos ofensivos em um setor do leste e afirmam que estão em boa posição para conquistar a cidade de Bakhmut.

Controlar essa cidade permitiria que Moscou avançasse sobre duas outras cidades controladas por Kiev na região de Donetsk, Kramatorsk e Sloviansk.

De acordo com Andrei Marochko, representante das forças separatistas da região vizinha de Luhansk, mas que lutam na região, "há combates contínuos" e as tropas ucranianas são empurradas "para noroeste e oeste da cidade".

A representante especial da ONU para Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, disse à AFP que os estupros e agressões sexuais atribuídos às forças russas na Ucrânia são uma "estratégia militar" e uma "tática deliberada para desumanizar as vítimas".

"Quando ouvimos os depoimentos de mulheres falando sobre soldados russos equipados com viagra, é claramente uma estratégia militar", explicou.

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