Quarentena mais dura para cidade de São Paulo opõe equipes de Doria e Covas

A inclusão da capital paulista num eventual endurecimento, nesta quarta ou mais adiante, preocupa a equipe de Covas

Governador do Estado de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa sobre coronavírus.Governador do Estado de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa sobre coronavírus. - Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Os detalhes da renovação da quarentena no estado de São Paulo fizeram subir a tensão entre as equipes do governador do estado, João Doria (PSDB), e do prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB).

Doria já afirmou que renovará a quarentena a partir de junho, mas de maneira heterogênea, com detalhes que serão anunciados nesta quarta-feira (27). Na noite desta terça (26), o governo soltou aviso de pauta afirmando que será anunciada a "nova fase do Plano São Paulo, que prevê a retomada das atividades econômicas a partir de critérios técnicos".

A inclusão da capital paulista num eventual endurecimento, nesta quarta ou mais adiante, preocupa a equipe de Covas.

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Um dos planos colocados à mesa é criar zonas no estado que, de acordo com seus índices, seriam classificadas como áreas verdes, amarelas ou vermelhas.

Por essa lógica, cidades do interior, hoje com baixo número de casos, teriam maior liberdade, enquanto a região metropolitana, epicentro da crise, teria um endurecimento da quarentena.

Entre as mudanças nessas zonas vermelhas, na qual seria incluída a capital, estariam a limitação do trabalho até da indústria e construção civil. Além do impacto nas contas da cidade, uma medida neste sentido poderia afetar até grandes obras realizadas pela prefeitura.

O entorno do prefeito, porém, não é favorável a um endurecimento ainda maior, por acreditar que a cidade têm conseguido achatar a curva de transmissão.

Conforme mostrou o jornal Folha de S.Paulo, o índice de reprodução do vírus (Rt) da cidade, que detecta para quantas pessoas cada infectado transmite a doença, está em 1.1, enquanto o do estado, incluindo o interior, chega a 1.7.

A gestão atribui às medidas tomadas na capital como um mega feriado, mas também aquelas depois abortadas, como o megarrodízio e os bloqueios em corredores da cidade.

Outro dado que a gestão apresenta como exemplo de que fez a lição de casa foi a ampliação é a criação de novos 1.007 leitos de UTI na cidade, onde antes havia cerca de 500. Além disso, dois hospitais de campanha foram criados e as vagas de enfermaria foram ampliadas em outras unidades.

Com isso, os índices de UTI têm permanecido próximos de 90%. Os índices de isolamento também têm sido maiores

Doria, apesar de analisar não só a renovação quanto o endurecimento da quarentena, descartou um lockdown no estado neste momento.

"Ela vai levar em conta toda a regionalização de São Paulo, no interior, capital, região metropolitana, litoral. A decisão não será homogênea. Até agora foi porque precisava ser. Agora, podemos fazer heterogênea, seguindo orientação do comitê de saúde. Em áreas que definam flexibilização cuidadosa e em etapas, isso será levado em consideração. Onde não puder, não será."

Inicialmente, o posicionamento da gestão Doria é que o lockdown seria usado se necessário. No entanto, a medida passou a ser afastada.

"Lockdown significa atestado de falência do sistema público de saúde. Quando você decreta o lockdown é que você perdeu a capacidade de enfrentamento da epidemia. Não estamos ainda neste momento", disse o coordenador do comitê contra coronavírus , Dimas Covas.

No entanto, anteriormente ele deu a entender o estado estaria próximo de reunir as condições para o lockdown.

Dimas Covas afirmou, no dia 13, que os principais critérios para adoção do lockdown são a velocidade do contágio e lotação das UTIs, dando a entender que a situação era próxima disso.

"Existem critério internacionais. O primeiro é a taxa de ocupação dos leitos de UTI. Quando essa taxa, ultrapassa 90%, liga-se a luz amarela. Chegando a 100%, o sistema começa a entrar em crise. A segunda variável é a taxa de transmissão, a capacidade de um indivíduo transmitir para outros. Quando é superior a um, a pandemia vai progredir. A associação desses dois fatores determina a necessidade determina o lockdonw", disse no dia 13."Nós estamos próximos de 90% de ocupação e a taxa de contágio é superior a um".

Na capital paulista, a taxa é superior a um e o sistema de UTI gira entorno de 90% de ocupação.

Por outro lado, a equipe de Covas já se preparava para iniciar tratativas de uma futura de retomada, sem data ainda, com criação de protocolos para evitar os contágios na cidade.

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