Vacinação

Quarta dose: 'Decisões deveriam ser tomadas de maneira homogênea no país', diz Queiroga sobre SP

Ministério da Saúde monitora possibilidade de aplicação em idosos, mas sem previsão de nova decisão

Marcelo Queiroga, Ministro da Saúde, em visita a PernambucoMarcelo Queiroga, Ministro da Saúde, em visita a Pernambuco - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Integrantes e técnicos do Ministério da Saúde analisam a possibilidade de aplicar a quarta dose de vacina contra a Covid-19 em idosos. O tema é discutido em reuniões semanais da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI Covid-19), que acompanha dados e estudos sobre essa segunda dose de reforço.

Não há, contudo, previsão de nova decisão. Uma ala da pasta defende encerrar o debate em torno de uma quarta dose e anunciar uma campanha de revacinação anual, a exemplo do que já ocorre com a gripe. A orientação atual é não aplicar essa segunda dose de reforço na população geral. Na contramão do ministério, o estado de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (16) que aplicará a quarta dose em idosos a partir de 80 anos. Botucatu, no interior paulista, foi o primeiro a tomar essa decisão.

Técnicos e integrantes da pasta levantam a possibilidade de a medida ser uma espécie de “correção” de ter aplicado da dose de reforço em idosos com CoronaVac. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou o fato de São Paulo não ter seguido a diretriz nacional:

 "As decisões deveriam ser tomadas de maneira homogênea no país para ter resultado mais efetivo — afirmou ao Globo".

Estudo encomendado pela pasta e realizado em parceria com a Universidade de Oxford mostra que o reforço com essa vacina induziu um número sete vezes maior de anticorpos em quem completou o ciclo de imunização com o imunizante. Com a Pfizer, sobe para 175 vezes.
 

Técnicos afirmaram ao GLOBO que o debate se centra na proteção conferida contra a Covid-19 entre pessoas que já receberam três doses e aquelas que não tomaram. A partir disso, a ideia é avaliar a queda de efetividade ao longo do tempo. 

Outro ponto de atenção é que técnicos esperam imunizantes de nova geração, como produzidos contra a Ômicron, por exemplo, para recomendar a medida. Essa versão da vacina ainda não tem previsão de data de lançamento, mas integrantes do ministério afirmaram ao Globo que os contratos assinados pela pasta preveem o recebimento de doses modificadas.

Segundo Queiroga, há vacinas contra a Covid-19 disponíveis caso o ministério reveja a orientação e passe a adotar a quarta dose. Ao todo, há 364 milhões de doses entre as contratadas e as já recebidas.

"É um tema que não é consenso na comunidade científica. A OMS não defende essa posição e a CTAI não aprovou ainda essa recomendação. O mais importante seria avançar com a dose de reforço. Caso a Secovid (Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19) delibere nesse sentido, temos doses suficientes para ofertar para os brasileiros", continuou o ministro.

A pasta liberou a quarta dose apenas para pessoas imunossuprimidas, isto é, com câncer, HIV, aids ou que passaram por transplante, entre outros. 

"O Ministério da Saúde informa que, até o momento, recomenda o esquema de vacinação com três doses - primeira, segunda e a dose adicional - mais a dose de reforço, apenas para os brasileiros imunossuprimidos acima de 12 anos", diz a pasta, em nota.

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