Quase 50% do mundo vê mudanças climáticas como grande ameaça
Entre países que mais apoiam ação individual estão Filipinas, Indonésia, México, Colômbia e Brasil
Cerca de 49% da população mundial acredita que as mudanças climáticas são a maior ameaça à humanidade. A preocupação que lidera em países da América Latina, como Brasil, Colômbia e México. O estudo da consultoria Ipsos destaca a região como a que mais exige ações climáticas de seus governos.
O estudo "Pessoas e Mudanças Climáticas", realizado em 32 países de todos os continentes, mostra que países como México (77%), Peru (74%), Argentina (72%) e Colômbia (70%) estão entre os que exigem mais ações de seus governos para combater as mudanças climáticas.
Além disso, o estudo destaca que as pessoas nesta região sentem menos que estão se sacrificando demais pela luta pelo clima. No Brasil, que sediará a COP30 em novembro próximo, três em cada quatro entrevistados pedem mais ações do governo, e apenas um em cada três acredita que se está pedindo demais dos cidadãos.
O estudo da Ipsos foi realizado com uma amostra de 23.745 pessoas de 32 países em todos os continentes.
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Globalmente, 74% dos cidadãos estão preocupados com os impactos das mudanças climáticas, uma preocupação que aumentou na maioria dos países, mas a convicção de que a ação individual é necessária diminuiu.
Em 18 dos 27 países pesquisados sobre preocupações com as mudanças climáticas em 2022, a porcentagem aumentou e é maior entre aqueles com maior risco de sofrer seus efeitos.
Filipinas (90%), África do Sul (88%), Indonésia (87%) e Coreia do Sul (85%) são os países que mais preocupam, enquanto Suíça (53%), Suécia (56%), Alemanha (62%) e Austrália (64%) estão no final da lista.
Apesar da preocupação crescente, o engajamento individual diminuiu, com apenas 64% dos entrevistados acreditando que, se todos os cidadãos não agirem, estarão falhando com as gerações futuras — uma porcentagem que diminuiu em todos os países em comparação a 2021.
Entre os países que mais apoiam a ação individual estão Filipinas, Indonésia, México, Colômbia e Brasil. Depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou seu país do Acordo de Paris, apenas 29% de seus concidadãos acreditam que os Estados Unidos são líderes mundiais na luta contra as mudanças climáticas.
Além disso, a maioria dos cidadãos (53%) reconhece que um aumento na temperatura global de mais de 1,5 graus Celsius em comparação aos tempos pré-industriais é um grande problema, enquanto 17% discordam dessa afirmação.
A Índia é o único país onde os entrevistados concordaram esmagadoramente que o aumento das temperaturas não é tão significativo.
O estudo conclui que há uma falta de compreensão sobre o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, com a maioria dos entrevistados superestimando esse progresso e apenas 26% afirmando corretamente que apenas um quinto das metas foi alcançado.
Preocupação com a transição energética na Europa
Uma grande proporção de europeus acredita que a transição de combustíveis fósseis para energias renováveis levará a preços de energia mais altos para as famílias, com porcentagens chegando a 59% na Alemanha, 56% na Holanda e Bélgica, 54% na França e 51% na Suíça. A Espanha ocupa o último lugar entre os 12 países europeus pesquisados (38%), abaixo da média global de 44%.
Além disso, os europeus são mais propensos a pensar que os carros elétricos são tão prejudiciais ao planeta quanto os carros movidos a combustão, uma afirmação apoiada por 58% dos franceses, 55% dos poloneses e 50% dos belgas e alemães, mas apenas 35% dos espanhóis.

