Questões ambientais na prova de Biologia do Enem

Segundo o professor André Maia, mais de 40% das questões da disciplina dos últimos dez anos são sobre ecologia e meio ambiente

Thiago GusmanThiago Gusman - Foto: Divulgação

Estima-se que cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza anualmente, segundo dados da SOS Fauna, ONG que atua na defesa e conservação da fauna silvestre brasileira. O comércio vindo do tráfico e as consequências ambientais da prática podem ser informações interessantes para pesquisa para se dar bem na prova de Biologia do Enem.

Segundo o professor André Maia, do Colégio Marista São Luís, mais de 40% das questões da disciplina dos últimos dez anos são sobre ecologia e meio ambiente. “É, sem dúvida, o assunto que mais cai. Dentro de ecologia, o tráfico de animais silvestres pode vir em questões falando de desequilíbrio e cadeia alimentares”, diz. 

Apesar de o tráfico de animais silvestres ser considerado financeiramente compensador, os reflexos negativos na natureza ainda não imensuráveis. “Hoje em dia é o terceiro mercado clandestino que dá mais lucro no mundo. Ele só perde para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. São arrecadados, aproximadamente, US$ 20 bilhões anuais”, afirma o professor.

Os reflexos começam quando se retira um animal da cadeia alimentar homogênea, onde existe a transferência de matéria e energia, pois a quantidade de animais que ele se alimentava vai aumentar significativamente. Paralelamente, vai diminuir a concentração de animais que usavam esse animal extinto para o processo de nutrição, gerando o desequilíbrio.

Para o Enem, é importante entender o conceito de sucessão ecológica, processo gradual de transformação de um ambiente até que ele atinja o equilíbrio. O impacto ambiental pode acontecer de várias formas, mas a maioria deles é por ações antrópicas, por ação do homem, como o caso do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, no final do ano passado.

“A destruição da barragem eliminou uma grande concentração de resíduos no rio. Na biologia, a gente diz que uma sucessão ecológica acontece porque o ambiente sofreu uma destruição ambiental, foi devastado e, depois, a própria natureza se encarregou de formar uma nova vida. Vão surgindo vegetações menos exigentes na nutrição, vai se preparando o solo para que espécies mais exigentes possam povoar o ambiente. Mas, após um desastre ambiental do impacto que foi Mariana, é pouco provável que ocor­­­ra uma sucessão. Caso ocorra, é muito tempo que leva”.

Além de ecologia, é preciso dar um gás no estudo em genética, fisiologia animal, biotecnologia, como clones e células tronco, e a epidemia de arboviroses. Para a estudante Maiza Tenório, 17 anos, esses são conteúdos quase certos. “Porém, mais importante do que saber os conteúdos mais pertinentes é entender a abordagem exigida pela prova, pois é muito diferente de outros vestibulares. No Enem, as situações do cotidiano são latentes. Há uma mistura com outras disciplinas como Química e Física.

Também é preciso ter a prática de entender os diversos problemas por meio de textos, gráficos e imagem”, avalia Mai­za, que concorre a uma vaga em Medicina. O estudante Matheus Lelis, 17 anos, está focando em conteúdos do cotidiano, mais fáceis de contextualizar. “Tenho mais dificuldade na parte microscópica da Biologia, que é a citologia, pois é um assunto menos palpável, o que dificulta a aprendizagem.

Assuntos que fazem parte do nosso cotidiano geralmente são mais fáceis de estudar, como é o caso de ecologia”, opina Matheus, que pretende cursar Engenharia. 

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