Quinze dias após descoberta de crime, ainda é mistério como o médico foi morto

Família aguarda liberação dos restos mortais do médico Denirson Paes para realizar sepultamento na Bahia

Casa da família do médico Denirson Paes, no condomínio Torquato Castro, em AldeiaCasa da família do médico Denirson Paes, no condomínio Torquato Castro, em Aldeia - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Nesta quarta-feira (18) faz 15 dias que partes do corpo esquartejado do cardiologista Denirson Paes, 54 anos, começaram a ser localizados na cacimba da casa onde morava, em Aldeia, na cidade de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife, pondo fim à parte do mistério do desaparecimento do médico, que foi visto pela última vez em 30 de maio. A esposa dele, Jussara Paes, 54, e o filho do casal Danilo Paes, 23, estão presos depois que a polícia encontrou forte indícios da participação deles no crime. A motivação, apontada pela chefia da Polícia Civil, seria a não aceitação da família ao anúncio de divórcio feito por Denirson e as perdas financeiras que a esposa teria com a separação. Permanecem sem resposta ainda como o cardiologista foi assassinado e a dinâmica de Jussara e Danilo na hora do crime.

Isento de qualquer conhecimento do homicídio ou da ocultação de cadáver, o filho caçula do casal, um jovem de 20 anos, depois de uma temporada com avôs e tios na cidade de Campo Alegre de Lurdes, na Bahia, volta ao Recife nesta quarta na companhia de parentes na tentativa de recomeçar. Desde a descoberta do crime ocorrido na própria casa, ele abandonou a faculdade e o trabalho.

A família Denirson Paes espera que, até o final desta semana, haja a liberação do corpo para sepultamento em Campo Alegre de Lurdes. “Estamos aguardando o IML (Instituto de Medicina Legal) liberar o corpo. Eles estão fazendo um trabalho bastante minucioso devido ao estado avançado de decomposição do corpo. Eles estão num trabalho muito difícil e estão pedindo mais tempo para realizar. Quando nós conversamos (no último final de semana), pediram mais 7 a 10 dias. Então, estamos no aguardo”, contou o pai de Denirson, Francisco Ferreira da Silva, 79 anos. A Polícia Científica não confirmou em que patamar estão os trabalhos periciais no corpo.

Sobre o neto, Francisco Ferreira comentou que toda a família está mobilizada em ampará-lo. Os parentes tentaram articular uma mudança do jovem para Petrolina, no Sertão, e sugeriram a transferência do curso universitário para lá, mas o rapaz preferiu voltar para a RMR. “Ele vai voltar amanhã (hoje) para cuidar das coisas dele. Ele tem o emprego, a faculdade. Agora é tentar se reerguer”, disse o avô.

Leia também:
Dona Josefa: testemunha-chave do assassinato do médico em Aldeia
"Jussara já falava como se ele estivesse morto", conta irmã de médico


Prisão
Com habeas corpus negados na última semana, Jussara e Danilo seguem à disposição da Justiça, ele no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima; e ela, na Colônia Penal Feminina do Recife. A defesa de mãe e filho se calou depois que o pedido de relaxamento da prisão foi negado pelo desembargador Antônio de Melo e Lima, da 2ª Câmara Criminal. O escritório tem trabalhado em outras estratégias e indicou que pode haver uma reviravolta no caso nos próximos dias. O processo agora segue em segredo de Justiça.

Veja também

Maestro Geraldo Menucci, primeiro regente da Banda Sinfônica do Recife, morre de Covid-19
Luto

Maestro Geraldo Menucci, primeiro regente da Banda Sinfônica do Recife, morre de Covid-19

Ministério Público denuncia homem preso por furto de bicicleta no Leblon
Crime

Ministério Público denuncia homem preso por furto de bicicleta no Leblon